9 de setembro de 2011

Lançamento da revista Novos Talentos

No próximo dia 29 de Outubro será lançada a revista Novos Talentos. A publicação, dirigida por João Pinto Coelho, tem como principal objectivo a divulgação de novos autores e criadores, estando prevista uma tiragem de 10 mil exemplares distribuídos a nível nacional.
  O título “pretende colmatar uma lacuna grave existente na gama de ofertas das edições culturais, que é a divulgação dos novos autores e novos criadores, tanto junto dos agentes culturais, permitindo-lhes um conhecimento mais detalhado do que e de quem produz em termos culturais como, como do público em geral que, assim, poderá aquilatar das perspectivas da nossa arte, da nossa cultura e do nosso pensamento”. O responsável salienta que, desta feita, a revista “colocará mensalmente, as suas páginas ao dispor de todos aqueles que desejam publicar os seus trabalhos”. Desse modo, dará “a conhecer as suas potencialidades, capacidades e contributo para a evolução da arte e da cultura portuguesa ou de língua oficial portuguesa”, acrescenta João Pinto Coelho.

Revista Pessoa n.º 4


O quarto número da revista Pessoa já se encontra à venda, sendo dedicado ao Colóquio Carlos de Oliveira. Para seguir as novidades relacionadas com a revista podem consultar a sua página oficial no Facebook.

JSTOR disponibiliza mais de 500.000 artigos gratuitamente

A partir de 6 de Setembro o conteúdo disponível no website JSTOR publicado antes de 1923 nos Estados Unidos ou antes de 1870, caso tenha sido inicialmente publicado internacionalmente, passa a ser de acesso gratuito.
  On September 6, 2011, we announced that we are making journal content in JSTOR published prior to 1923 in the United States and prior to 1870 elsewhere freely available to anyone, anywhere in the world.  This “Early Journal Content” includes discourse and scholarship in the arts and humanities, economics and politics, and in mathematics and other sciences.  It includes nearly 500,000 articles from more than 200 journals. This represents 6% of the content on JSTOR.
While JSTOR currently provides access to scholarly content to people through a growing network of more than 7,000 institutions in 153 countries, we also know there are independent scholars and other people that we are still not reaching in this way.  Making the Early Journal Content freely available is a first step in a larger effort to provide more access options to the content on JSTOR for these individuals.
The Early Journal Content will be released on a rolling basis beginning today. A quick tutorial about how to access this content is also available.

7 de setembro de 2011

Exposição "Escritas do Português"

Período de Exibição: 15 de Setembro a 14 de Outubro de 2011
  Até ao início do século XX, a língua portuguesa nunca conheceu uma norma da escrita. O ensino, o texto impresso e a escrita privada demonstram a dispersão de usos num sistema de regras pouco definidas e por vezes contraditórias, que souberam conviver no espaço e no tempo.

Com a República, o Estado impõe pela primeira vez aos cidadãos e às instituições uma língua escrita normalizada e simplificada. A reforma ortográfica de 1911 resulta do contributo de um conjunto de filólogos excepcionais, que imprimiram na escrita do português o resultado de longos anos de investigação, conjugando o rigor científico e o sentido prático. É o momento instituidor da escrita do português contemporâneo, bem como das diversas escritas que o português conhece ao longo do século XX, em Portugal e no Brasil.

A exposição atravessa cinco séculos de teorias e práticas ortográficas que ora aproximam a escrita da língua falada, ora a cristalizam no padrão intemporal da etimologia latina. Um percurso de oposições, mas também de reconhecimento da variedade, documentado em gramáticas, ortografias, livros didácticos, ensaios e legislação, pertencentes à Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

6 de setembro de 2011

Comunidade de Leitores - O Riso e o Esquecimento

Moderadora: Helena Vasconcelos
Data: 22 Setembro (consultar datas posteriores no programa)
Local: Culturgest
Entrada: Livre, inscrições até 15 de Setembro, limite de 40 pessoas
  É uma verdade universalmente conhecida que o riso faz parte das expressões mais profundas e sérias do ser humano e que a comédia – como um dos géneros classificados por Aristóteles na sua Poética – surge com força renovada nos mais terríveis momentos de crise política, social, individual. E se a função da Literatura era a mimesis, ou imitação da vida, a comédia ao invés (ou como complemento) da tragédia tinha, e continua a ter, a árdua tarefa de recriar a existência com elevação e solenidade, ao mesmo tempo que faz despertar o riso. A “comédia” nem sempre esteve ligada aos mesmos pressupostos – Dante chama à sua obra-prima A Comédia no sentido alegórico da cosmogonia medieval – mas Geoffrey Chaucer e Boccaccio foram mestres na criação (século XIV) de personagens cómicas em inusitadas peripécias com o propósito de recriar a farsa como espelho do mundo. Essas figuras-tipo – o frade, o médico, o mercador, a “esposa”, a freira, etc. – foram utilizadas por grandes dramaturgos como Molière e Lope de Veja e por autores como Eça de Queirós e Machado de Assis que se encarregaram de zurzir violentamente os seus contemporâneos. Quanto a Jacobson e Heller vão também buscar atributos tradicionalmente “cómicos” – a viuvez em A Questão Finkler e a ingenuidade em Catch 22 – para demolirem a sociedade inglesa, especialmente a judaica, e a loucura assassina da guerra. Recuando para a Inglaterra isabelina, onde se seguia a distinção clássica – as tragédias acabavam mal e as comédias tinham um final feliz – Como vos Aprouver de William Shakespeare é um exemplo perfeito da “alta comédia” pela forma refinada como são tratados os temas das mudanças de identidade e confusão de géneros. Os mal-entendidos são também o catalisador de toda a acção em Ema, uma heroína com uma personalidade tão forte como a de Rosalind mas à qual Austen, com a sua capacidade para dizer sempre o contrário do que está implícito, atribui uma enorme falta de bom senso. A comédia é um género essencialmente democrático mas não deixa, por isso, de se revelar como indispensável. Os grandes tiranos, na sua solidão, sempre precisaram de um bobo para os obrigar a olhar a realidade do mundo, aquilo a que o filósofo Thomas Hobbes, referindo-se ao riso, chamou a “súbita glória” do ser humano.

Citações

  “Vivi, olhei, li, senti, Que faz aí o ler, Lendo, fica-se a saber quase tudo, Eu também leio, Algo portanto saberás, Agora já não estou tão certa, Terás então de ler doutra maneira, Como, Não serve a mesma para todos, cada um inventa a sua, a que lhe for própria, há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura, ficam pegados à página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é que importa, A não ser, A não ser, quê, A não ser que esses tais rios não tenham duas margens, mas muitas, que cada pessoa que lê seja, ela, a sua própria margem, e que seja sua, e apenas sua, a margem a que terá de chegar.”

                                      José Saramago, A Caverna
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