24 de janeiro de 2011

O Pêndulo de Foucault - Umberto Eco

O Pêndulo de Foucault
2005 (Data original de publicação: 1988)

Título Original: Il Pendolo di Foucault
Autor: Umberto Eco
Editora: Difel
Tradução: José Colaço Barreiros
Páginas: 566
ISBN: 972-29-0726-3

  “Assim desapareceram os cavaleiros do Templo com o seu segredo, na sombra do qual palpitava uma bela esperança da cidade terrestre. Mas o Abstracto a que estava preso o seu esforço prosseguia em regiões desconhecidas a sua vida inacessível... e mais de uma vez, no decorrer dos tempos, deixou fluir a sua inspiração nos espíritos capazes de acolhê-lo.”
(Victor Emile Michelet, Le secret de la Chevalerie, 1930)
Ao longo do séc. XX, assim como do presente século, as teorias da conspiração serviram de base a diversas obras de ficção, desde os filmes e séries televisivas à literatura, algumas delas com bastante sucesso, como a série Ficheiros Secretos e o fenómeno de vendas de Dan Brown com o seu livro Código Da Vinci. A obra de Umberto Eco encontra-se, no entanto, num patamar de erudição bem acima da média, algo que o escritor italiano não deixa de demonstrar em O Pêndulo de Foucault, onde se verifica como este é capaz de gerir uma quantidade de informação atípica em trabalhos ficcionais.
  “Mas então esta história continua até ao infinito?”
“Assim é. E é a astúcia dos Senhores.”
“Mas o que querem que a gente saiba?”
“Que há um segredo. Senão para quê viver, se tudo fosse como parece ser?”
“O que as religiões reveladas não souberam dizer. O segredo está para além disso.”
Casaubon, o narrador, é um estudante que se encontra a trabalhar na sua tese de doutoramento acerca dos Templários, ordem extinta após o seu Grão-Mestre ter sido condenado à morte no séc. XIV, embora existam, ainda hoje, lendas acerca da sua preservação até aos tempos modernos, apontando para uma existência rodeada de mistérios. Em Milão conhece os editores Jacopo Belbo e Diotallevi, dos quais não só se tornará colega de trabalho, mas também na peça central que permite ao trio desenvolver uma intrincada teoria da conspiração, denominada de Plano, que atravessa diversos séculos, culturas e organizações, em que conjugam factos históricos com especulações baseadas nas ciências do oculto.
  “Você tinha razão. Qualquer dado se torna importante se for ligado a outro. A conexão altera a perspectiva. Induz a pensar que todos os indícios, todos os boatos, todas as palavras escritas ou faladas não têm o sentido que parecem ter, mas que se está a falar de um Segredo. O critério é simples: suspeitar, suspeitar sempre. Pode-se ler nas entrelinhas até de uma placa de sentido proibido.”
De mero passatempo, a constituição do Plano passa a ocupar plenamente a vida dos protagonistas, que apresentam uma cadeia de associações de ideias deveras impressionante, desencobrindo obscuras simbologias onde aparentemente o significado se revela simples e claro. Esta complexidade, que resulta em longos períodos de exposição de informação, torna-se ainda mais surpreendente quando o autor, sem piedade, destrói a elaborada estrutura do Plano, construída ao longo de centenas de páginas.
  “O vosso plano não é poético. É grotesco. Ninguém se lembra de voltar a incendiar Tróia só porque leu Homero. Com ele o incêndio de Tróia tornou-se uma coisa que nunca existiu, que nunca existirá e no entanto existira sempre. Tem muitos sentidos porque é tudo claro, tudo límpido. Os teus manifestos dos Rosas-Cruzes não eram claros nem límpidos, eram um borborigmo e prometiam um segredo. Por isso tantos procuraram fazer com que se tornassem verdadeiros, e cada um descobriu o que lhe apeteceu. Em Homero não há nenhum segredo. O vosso plano está cheio de segredos porque está cheio de contradições. Larguem isso tudo. Homero não fingiu. Vocês fingiram. Ai de quem finge, todos acreditam nele.”
O Pêndulo de Foucault é, como refere Anthony Burgess, um triunfo intelectual, um livro que comprova o poder do conhecimento, mas que também torna visíveis os seus perigos. Uma crítica à busca por segredos que não existem, à manipulação de factos concretos para construir hipóteses sem fundamento, alimentando uma fome impossível por satisfazer: a fome do desconhecido, a ânsia por alcançar uma verdade intocada, que perigosamente dilui a barreira que separa a ilusão da realidade.
  “Veja bem, Casaubon, até o Pêndulo é também um falso profeta. Você olha para ele, julga que é o único ponto imóvel no cosmos, mas se o tirar da abóbada do Conservatoire e o for pendurar num bordel funciona à mesma. Há outros pêndulos, um está em New York no palácio da ONU, outro em San Francisco no museu da ciência, e sabe-se lá quantos mais há. O pêndulo de Foucault está parado com a Terra a girar por baixo dele seja onde for que se encontre. Cada ponto do universo é um ponto imóvel, basta prender-lhe o Pêndulo.”
“Deus está em toda a parte?”
“Num certo sentido sim. É por isso que o Pêndulo me perturba. Promete-me o infinito, mas deixa-me a mim a responsabilidade de decidir onde é que quero tê-lo. Assim não basta adorar o Pêndulo onde ele está, é preciso tomar de novo uma decisão, e procurar o ponto melhor.”

Ciclo de Palestras "100 Lições" - Comemorações dos 100 Anos da Universidade de Lisboa

  A Universidade Portuguesa tem a sua origem em Lisboa em 1288-1290, e só foi transferida definitivamente para Coimbra em 1537. A actual Universidade de Lisboa foi criada por decreto de 22 de Março de 1911, reunindo os vários estudos superiores reaparecidos na capital durante o século XIX. É uma história de séculos que a Universidade de Lisboa comemora em 2011.
  Inicia-se hoje o primeiro ciclo de palestras do programa "100 Lições", um dos eventos que se inserem na comemoração do centenário da Universidade de Lisboa. Assim, antigos alunos como Lídia Jorge, Vasco Graça Moura e Nuno Júdice regressam à universidade para participar neste ciclo de palestras, que se realiza até 12 de Maio, de segunda a sexta-feira, entre as 18h e as 20h na Sala de Conferências da Reitoria da Universidade de Lisboa. A entrada é livre e o programa detalhado pode ser consultado aqui.


23 de janeiro de 2011

Leituras Digitais (16 a 22 de Janeiro)

Rubrica semanal de notícias e artigos relacionados com a edição de livros digitais.

  The first question – Is there any way to avoid advertising in books?
The Answer: Not really.
Now that Google has a patent that lets them fight off the patent Amazon got for advertising in books. Now that Publishers are desperate. Now that Google has probably realized that it needs to offer something to readers that Amazon and B&N can’t easily match. Now that most online companies have begun to feel advertising is the answer to everything.
  There is wide interpretation and varying implementations of the ISBN eBook standard; however, all participants agree a normalized approach supported by all key participants would create significant benefits and should be a goal of all parties.
Achieving that goal will require closer and more active communication among all concerned parties and potential changes in ISBN policies and procedures. Enforcement of any eventual agreed policy will require commitment from all parties; otherwise, no solution will be effective and, to that end, it would be practical to gain this commitment in advance of defining solutions.
  US-based Apple and Amazon are the leading global vendors of tablet computers and e-readers, respectively, according to the Worldwide Quarterly Media Tablet and eReader Tracker, published by International Data Corporation (IDC). Pandigital and Barnes & Noble have lapped Sony to become the #2 and #3 global vendor of e-readers. Sony is neck and neck with Chinese-producer Hanvon in distributing e-readers, and are at the #4 and #5 positions — though are significantly behind the leaders in terms of percentage of market share.
  All of this probably wouldn’t matter too much if the prices they charged for their various models reflected the realities of their limited hardware, but sadly they don’t.   Sony is resolutely refusing  to join in the price war that is currently raging in the eReader world, making their eReaders, which are comparable to the cheaper models way too expensive for what they are offering us.
  Sorry Indies, but it’s the truth. B&N still has enough consolidated power to “make” books. Its buying power makes it indispensable to publishers who need advance orders to justify print runs and the various other knock on effects that entails. They are providing –- via their Nook device –- the biggest rival to Amazon’s e-reader hegemony. And, let’s face it, if they –- along with Borders -– disappeared, how many communities would suddenly be underserved or not served at all? This is the reason small towns lobby B&N to open stores in their community: people are now, like it or not, accustomed to the selection available at big box retailers. True, perhaps half of those who shop at B&N’s aren’t there for the books, but what better chance is there to entice a not-so-avid reader into picking up a book?
  The idea is "to try and advance together, not one against the other", and to achieve a "civilised" rather than a "regulated internet" he said in a New Year speech to the French culture, teaching and research communities.
  Whatever the cause of this obnoxious limitation, we’ve had e-books in some form for well over a decade now. Why on earth can’t the publishing industry figure out a way to solve this problem and let people who want to buy books buy them? As the pasted LostBookSales report indicates, people who are denied the opportunity will often just resort to piracy, and that does not earn the author or publisher anything.
  É isto mesmo. Em 2010, o faturamento de e-books correspondeu a 9% do faturamento das grandes editoras americanas. Em 2008, foi 1% e em 2009, 3%. O crescimento tem sido exponencial. Em alguns poucos anos, haverá uma grande demanda por livros no formato digital, e onde há demanda, há oferta. Se os editores não fornecerem seus livros em formato eletrônico, alguém vai. Por mais que se combata a pirataria, será impossível evitar que algum adolescente na Lapônia ou em São José do Rio Preto digitalize um livro indisponível e o torne acessível na internet.
Vídeos

Kindle Hacking 101 - E Book DRM Removal

Treasures Smartphone App from the British Library


Territorio Ebook, la voz de los lectores

22 de janeiro de 2011

Citações

  “We have a task before us which must be speedily performed. We know that it will be ruinous to make delay. The most important crisis of our life calls, trumpet-tongued, for immediate energy and action. We glow, we are consumed with eagerness to commence the work, with the anticipation of whose glorious result our whole souls are on fire. It must, it shall be undertaken to-day, and yet we put it off until to-morrow, and why? There is no answer, except that we feel perverse, using the word with no comprehension of the principle. To-morrow arrives, and with it a more impatient anxiety to do our duty, but with this very increase of anxiety arrives, also, a nameless, a positively fearful, because unfathomable, craving for delay. This craving gathers strength as the moments fly. The last hour for action is at hand. We tremble with the violence of the conflict within us, -- of the definite with the indefinite -- of the substance with the shadow. But, if the contest have proceeded thus far, it is the shadow which prevails, -- we struggle in vain. The clock strikes, and is the knell of our welfare. At the same time, it is the chanticleer -- note to the ghost that has so long overawed us. It flies -- it disappears -- we are free. The old energy returns. We will labor now. Alas, it is too late!

                          Edgar Allan Poe, The Imp of the Perverse

19 de janeiro de 2011

Colecção Frente e Verso da revista Visão


  A segunda série desta colecção, em que se pretende reunir autores que publicam prosa e poesia, será lançada esta quinta-feira, 20 de Janeiro, incluindo os seguintes autores:
  • Alice Vieira: Prosa Às Dez a Porta Fecha Poesia Dois corpos tombando na água        
  • José Jorge Letria: Prosa Coração Sem Abrigo Poesia Produto Interno Lírico
  • Luísa Dacosta: Prosa Corpo Recusado Poesia A Maresia do Sargaço dos Dias
  • Urbano Tavares Rodrigues: Prosa O Eterno Efémero Poesia Horas de Vidro      
  • Natália Correia: Prosa A Madona Poesia Sonetos Românticos
  • José Mário Silva: Prosa O Efeito Borboleta e outras histórias Poesia Luz Indecisa
  • Ana Paula Tavares: Prosa A Cabeça de Salomé Poesia Dizes-me Coisas Amargas como Frutos
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