7 de janeiro de 2011

Citações

  “Sabemos bem que toda a obra tem que ser imperfeita, e que a menos segura das nossas contemplações estéticas será a daquilo que escrevemos. Mas imperfeito é tudo, nem há poente tão belo que o não pudesse ser mais, ou brisa leve que nos dê sono que não pudesse dar-nos um sono mais calmo ainda. E assim, contempladores iguais das montanhas e das estátuas, gozando os dias como os livros, sonhando tudo, sobretudo, para o converter na nossa íntima substância, faremos também descrições e análises, que, uma vez feitas, passarão a ser coisas alheias, que podemos gozar como se viessem na tarde.”

                      Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

5 de janeiro de 2011

Artes Visuais: Alexandra V. Bach

Oblivion
Este mês o Artes Visuais é dedicado à francesa Alexandra V. Bach, artista digital conhecida pelo seu trabalho para diversas bandas famosas (Adagio, Kamelot, Liquid Sky, entre outras). Actualmente trabalha em regime freelance para a empresa que criou para o efeito, a Ravendusk Design.
Isolation
Alexandra iniciou o seu percurso nas artes em 2003, aprendendo de forma autodidata. Nos seus trabalhos podem encontrar representações de uma beleza misteriosa, uma visão delicada rodeada pelas trevas, inspirando-se, para tal, na música, nos filmes e na literatura de horror, sendo a imagem apresentada abaixo (baseada nos romances de Anne Rice) um exemplo disso mesmo.
Queen of the Damned
Em Portugal a arte de Alexandra não é desconhecida, especialmente para os leitores de Anne Bishop, dado que são da sua autoria as capas de A Senhora de Shalador e de Aliança das Trevas, ambos editados pela Saída de Emergência que nos tem habituado a um elevado nível de qualidade no que ao design gráfico diz respeito.

Para mais informações:

4 de janeiro de 2011

Crónica do Rei Pasmado - Gonzallo Torrente Ballester

Crónica do Rei Pasmado
2003 (Data Original de publicação: 1989)

Título Original: Crónica del Rey Pasmado
Autor: Gonzalo Torrente Ballester
Editora: Caminho
Tradução: António Gonçalves
Páginas: 181
ISBN: 972-21-0708-9



A Crónica do Rei Pasmado transporta-nos para a Espanha do séc. XVII, época dominada fortemente pela Inquisição e que serve de palco para esta brilhante sátira em que Ballester, de forma bem humorada, expõe a hipocrisia que germina nas classes detentoras de poder.
  “Foram encontrar o Rei à porta dos aposentos secretos, a que muita gente chamava também proibidos. A grande chave de ferro continuava na fechadura, e o Rei, encostado à ombreira, parecia em êxtase, o que quer dizer que tinha cara de tolo. Não respondeu aos primeiros chamamentos do seu moço de câmara, e só quando foi sacudido com certa força é que no seu rosto aconteceu algo de semelhante ao despertar de um sonho.”
Após ter passado a noite com um bela cortesã, ocasião em que pela primeira vez Filipe IV vê uma mulher nua, o jovem rei, francamente encantado pela experiência, decide que quer ver a sua esposa despida, disposto, portanto, a quebrar as regras protocolares que até então o condenaram a uma quase total passividade. Tal desejo desencadeia um intenso debate acerca da sua legitimidade e potenciais consequências.
  “Se o Rei consegue ver a Rainha nua, todos teremos pretexto para despir as nossas fêmeas, sejam esposas ou queridas, e despir-se-ão todas as destes reinos, e as mulheres das Índias, e acabarão nuas as mulheres do mundo inteiro, se pega a moda, o que vai sendo hora de que aconteça, porque de camisas de noite compridas e de disputas para que as levantem um pouco mais, estamos nós tão cansados como elas. O único perigo, e este meramente imaginário, reside em que se disponham a sair nuas para a rua, ou com trajos tão transparentes que deixem ver tudo, pois são bem conhecidos os desejos que têm as mulheres de publicarem os seus segredos.”
As opiniões dividem-se entre aqueles que se opõem à vontade do rei, acreditando que os pecados do seu monarca se repercutem a nível militar e económico, e os que consideram natural a ambição de Filipe IV e assunto que diz respeito ao casal, independentemente da sua posição social.
Os principais opositores pretendem apenas mascarar os seus verdadeiros interesses, como é o caso do Valido, para o qual é bastante conveniente a possibilidade de responsabilizar o rei pelos fracassos da nação, e o do padre Villaescusa, fanático religioso que procura subir na hierarquia a todo o custo, figuras que procuram manipular a opinião pública através do seu poder e de pressupostos religiosos.
Apesar dos esforços para reprimir o desejo do rei, este conta também com diversos apoiantes, personagens cuja educação e experiência lhes proporcionou um pensamento mais liberal, como o Inquisidor-mor que não deixa o puritanismo contaminar as suas decisões, o conde Peña Andrada que auxilia o rei nos seus encontros clandestinos, e principalmente o Padre Almeida, jesuíta português que com a sua inteligente argumentação consegue distorcer os princípios teológicos utilizados para reprimir e controlar a vida de Filipe IV, semeando a dúvida entre os mais fervorosos membros da igreja.
Através destas fascinantes personagens e dos seus engenhosos (e muitas vezes hilariantes) diálogos, Ballester mostra-nos, com uma simplicidade que só está ao alcance de grandes escritores, até que ponto a ambição e falta de senso comum podem levar o ser humano.
 “- E como foi o senhor padre meter-se neste assunto? Quero dizer nos seus termos reais, não nos meramente académicos da tarde de ontem.
- Cheguei a pensar, Excelência, que Deus me trouxe aqui apenas para isso.
- E o senhor acredita que Deus se preocupa se o Rei e a Rainha fornicam nus ou em camisa?
O jesuíta fitou-o, perplexo; a seguir perguntou-lhe, ousadamente:
- Excelência, o senhor acredita em Deus?
O Inquisidor-mor sorriu ternamente, mas o seu sorriso transformou-se num esgar triste.
- Há muitos livros escritos sobre Deus, mas cabem todos numa palavra: ou sim, ou não.”

3 de janeiro de 2011

Poems from the Portuguese - Novo website do CNC

  É lançado no dia 5 de Janeiro o site Poems from the Portuguese que publica tradução inglesa de poesia escrita neste século por poetas portugueses vivos.

Cada poeta é sugerida/o por outra/o poeta participante que a/o apresenta num pequeno texto. Esta cadeia significa que outros poetas continuam progressivamente a ser adicionados. Será destacado um poeta em cada mês: ou porque participa pela primeira vez, ou porque manda novos poemas para a sua página.

Deste modo, são os próprios poetas que mantêm a dinâmica do site.

Colóquio Internacinal Sophia de Mello Breyner Andresen

  Nos dias 27 e 28 de Janeiro terá lugar nas instalações da Fundação Gulbenkian o COLÓQUIO INTERNACIONAL SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, promovido por Maria Andresen de Sousa Tavares e realizado com a colaboração do Centro Nacional de Cultura.

  A confluência nestes três dias da cerimónia de entrega do Espólio, da abertura da Exposição e da realização do Colóquio visa sublinhar a importância da obra da Autora, ao mesmo tempo que se proporciona a investigadores portugueses e estrangeiros o acesso a documentos (autógrafos e outros) que possibilitarão novas perspectivas de estudo.
Abaixo podem encontrar o programa da entrega do espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen à Biblioteca Nacional de Portugal, evento agendado para 26 de Janeiro. Para mais informações verificar a página do colóquio.
16H
Cerimónia de assinatura do termo de doação do espólio de SMBA 
pelo Director da BPN, Jorge Couto, e pelos filhos da Autora.

16H15
Usarão da palavra alguns membros da Comissão de Honra, 
amigos da Autora.
18H
Leitura de Poemas por Beatriz Batarda e Luís Miguel Cintra.

18H30
Inauguração da exposição “Sophia de Mello Breyner Andresen
– Uma vida de poeta”, que será apresentada pelas Comissárias, 
Paula Morão e Teresa Amado.

2 de janeiro de 2011

Leituras Digitais (26 de Dezembro a 1 de Janeiro)

Rubrica semanal de notícias e artigos relacionados com a edição de livros digitais.

  "Publishers used to be the gatekeepers," said Mike Shatzkin, a New York publishing consultant and editor of the Shatzkin Files (www.idealog.com/blog), a blog about the book industry. "Going through the gate still has certain benefits, but it's no longer the only way for authors to get to where they want to go."
  "The real issue for authors and e-books will be marketing," says literary agent Jeff Kleinman, of Folio Literary Management. "How to market an e-book, how to get the book noticed, how to make an e-book rise to the front page of Amazon, how to connect with readers, how to sign digital copies -- these are the questions that are going to need answers in the expanding digital market."
  Amazon.com today announced that the third-generation Kindle is now the bestselling product in Amazon’s history, eclipsing “Harry Potter and the Deathly Hallows (Book 7).” The company also announced that on its peak day, Nov. 29, customers ordered more than 13.7 million items worldwide across all product categories, which is a record-breaking 158 items per second.
  Owners of ebook gadgets like Amazon’s Kindle and the Apple iPad can snap up the works of many dead literary greats without paying a penny because they are out of copyright.
Coupled with the proliferation of these devices, titles such as Pride and Prejudice and Treasure Island have shot to the top of the ebook charts.
  Is this is the long-awaited dawn of creative writing, where digital not only redefines the book, how it is created, developed, promoted, distributed and rewarded, but also stimulates writing and creativity itself? We have seen the generation shift from watching film and listening to music to making them, so are we going to see an equally significant shift in writing? Some will say it has happened and everyone now can express themselves and communicate with others without paper and the need of a publisher. Others will say that there is still the need to be ‘published’. Relationships are already starting to change and the disintermediation that many predicted is now starting to take some interesting twists and turns.
  Richard Curtis, veteran literary agent and president of Ereads.com, shared a few publishing predictions for 2011.
  So for independent historians, rare book collectors, and small town librarians, the task of book digitization promises to only get easier. Unfortunately, for those of us who want easy access to much of this digitized content, it appears to be a different story altogether.
  But Jason Pinter is absolutely correct when he said on Twitter Sunday night that “I want an article on epublishing to focus on an author with no platform who made it big self-pubbing. Stop regurgitating the same names.” And I think, and hope, that will be the case. But part of the issue is that media narratives prefer there to be a change from one state to another. It’s far sexier to write about Konrath and Godin leaving their print publishers behind for the world of e, or for the reverse to happen, as with the case of Boyd Morrison, who published various novels on Kindle first, did well with them, and then got picked up by a major publisher. Even if, in all of those instances, the core story subsumes seemingly incidental details that actually prove they are exceptions to rules instead of being (god, I hate this term so, so much) game-changers.
  Russ Grandinetti, the head of content for Amazon.com's Kindle business, talks about Amazon's plans for its rapidly growing Kindle business.
  The dark side spreads to the way the device is designed; that is, it is designed to encourage users to be connected to Amazon’s servers and to automatically download updates. The problems with being connected and updates are that they allow Amazon to track the consumer’s buying habits and give Amazon access to the Kindle’s content, enabling removal or disabling at Amazon’s whim. Although a lot of Amazon fans say that Amazon will do no evil, that is really more of a wish and a prayer than a fact. Amazon has always put Amazon’s interests ahead of everyone else.
  As for the feature, it’s pretty much as expected and in line with what Barnes & Noble offers on the Nook–the loan period is 14 days, during which time you can’t read the title, and you can only lend a title once. So yeah, it’s not restriction-free lending, but more of an optional loan-once coupon you can redeem on certain titles.
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