9 de dezembro de 2010

Projecto Adamastor

Criação de uma biblioteca digital de ficção especulativa

Pretende-se, numa primeira fase, proceder à recolha de textos dentro da chamada ficção especulativa, que numa abrangência geral abriga dentro de si géneros como a ficção científica, o terror, o fantástico e a fantasia, de autores portugueses e que já não estejam em circulação comercial nem sejam de fácil acesso a toda a comunidade lusófona.

A recolha e digitalização para formatos passíveis de leitura online ou offline incidirá sobre obras no domínio comum e sobre aquelas de que, já não estando em circulação, se obtenha a devida autorização dos detentores dos direitos autorais. As obras abrangerão um leque vasto, desde romances, a contos, artigos, ensaios, poesia, que podem surgir nos mais variados aspectos, tal como livros, revistas, fanzines, jornais.

À semelhança de outros projectos como o Projecto Gutenberg, este necessita de um elevado número de voluntários para que a sua concretização seja assegurada. Assim criou-se este questionário que pretende asseverar do interesse e participação da comunidade.

Gratos pela sua resposta, estamos ao seu dispor para qualquer questão através do email adamastordigital@gmail.com
Podem votar no questionário abaixo ou, se preferirem, nesta página. A vossa participação é fulcral para avaliar a viabilidade deste projecto, pelo que deixo o meu apelo para que divulguem a iniciativa tanto em websites/blogs como nas principais redes sociais.

6 de dezembro de 2010

Eu sou a Lenda - Richard Matheson


Eu sou a Lenda
2007 (Data original de publicação: 1954)

Título Original: I am Legend
Autor: Richard Matheson
Editora: Saída de Emergência
Tradução: Fernando Ribeiro
Páginas: 160
ISBN: 9789896370152

Único sobrevivente de uma praga cujos efeitos se assemelham ao vampirismo, Robert Neville subsiste apesar das dificuldades, matando vampiros de dia e barricando-se em casa de noite, tentando não só proteger-se das insaciáveis criaturas, mas também manter a sua própria sanidade.

O livro diferencia-se pela sua abordagem científica em detrimento dos fundamentos mitológicos que normalmente suportam as histórias de vampiros, algo que, no entanto, levou a uma desactualização acentuada pelo avanço da ciência desde a sua publicação original em 1954. Apesar disso, as falhas na explicação do vírus não são facilmente identificáveis, sendo as alterações sociais o factor que revela de forma mais evidente a antiguidade da obra.
  “A força do vampiro vem do facto de ninguém acreditar nele.” Muito obrigado, Dr. Van Helsing, pensou enquanto pousava a sua cópia do “Drácula”. Estava sentado olhando melancolicamente para a estante dos livros, ouvindo o segundo concerto para piano de Brahms, um whisky sour na sua mão direita, um cigarro nos lábios.
Era verdade. O livro era uma mistela de superstições e clichés romanescos, mas aquela frase era verdadeira; ninguém tinha acreditado neles, e como poderia alguém lutar contra algo em que não acreditava?
A escrita simples (por várias vezes monótona) enfatiza a repetitiva rotina de Neville, uma existência entre a solidão e o horror que o arrasta para um estado de desespero, algo que procura contrariar através do álcool. Assolado pelo passado do qual não se consegue libertar e pela ausência de perspectivas futuras, é ao atingir o limiar da loucura que Neville decide enfrentar a situação, investigando a origem do vírus que destruiu o mundo que conhecia.
  Este pensamento recordou-lhe outra vez o enigma inexplicável de porque é que ele continuava. Tudo bem que havia agora algumas hipóteses que tinha de experimentar mas a sua vida ainda era uma provação estéril e sem alegrias. Apesar de tudo quanto possuía ou viria a possuir (à excepção, claro, de outro ser humano), a vida não lhe dava nenhumas garantias de que iria melhorar ou até mudar. Da maneira como corriam as coisas, viveria a sua vida com pouco mais do que aquilo que agora já tinha. E por quantos anos? Trinta, quarenta se não se matasse com a bebida entretanto.
A ideia de que ainda tinha mais quarenta anos para viver dava-lhe arrepios.
E, no entanto, não se matava.
É através deste cenário desolador em que o protagonista, qual Robinson Crusoe, se vê rodeado por um mar de vampiros, que Richard Matheson consegue abordar temas como o efeito psicológico da solidão, a tristeza resultante da perda de entes queridos, o choque entre a moral e o instinto de sobrevivência e, com especial importância na explicação de alguns efeitos do vírus, a influência das crenças e superstições na psique humana. O desenvolvimento destes temas apela fortemente às nossas emoções, cativando o leitor de forma inesperada tendo em conta o monótono início.
  Num mundo em que o terror era a regra, a redenção não viria por ele sonhar mais ferozmente. Ao terror, conseguia adaptar-se. Mas a monotonia, tomava agora, tardiamente, consciência, era o maior dos obstáculos. Tê-lo compreendido trouxera-lhe uma espécie de paz de espírito, uma noção de que tinha deposto todas as cartas sobre uma mesa mental, examinando-as, e escolhendo, em consciência, o naipe desejado.
De forma lenta mas gradual, a história ganha força (contrastando com o declínio de Neville, através da degradação das suas aptidões sociais), culminando numa inversão de papéis que estilhaça, de forma assustadora, a ilusão que temos da nossa importância, principal base da nossa arrogância.

Apesar do peso dos anos, Eu sou a Lenda continua (e arriscaria mesmo dizer que continuará) a ser uma obra memorável e perturbadora.

5 de dezembro de 2010

CCB - Dia Clarice Lispector

O CCB homenageia a escritora por ocasião do 90.º aniversário do seu nascimento. O evento realiza-se dia 12 de Dezembro na sala Almada Negreiros. A entrada é gratuita e o programa do evento pode ser consultado abaixo:
PROGRAMA

15:00 Leitura de  textos de Clarice Lispector
         
por
         Maria Lúcia Lepecki
         Filipa Leal
         Luísa Cruz      
   
16:30 Conferência de Carlos Mendes de Sousa 
         Clarice Lispector: as coisas são sempre vésperas. 

17:15 às 17:30
 Intervalo 
17:30 Apresentação do filme A Hora da Estrela, de Suzana Amaral (1985) 
         Duração 96 min.
           
M/ 14 anos

Leituras Digitais (28 de Novembro a 4 de Dezembro)

Rubrica semanal de notícias e artigos relacionados com a edição de livros digitais.

  The launch of the iPad and price cuts to the Kindle resulted in a significant increase in the number of digital reading devices owned by consumers between June and November, with 21% of book shoppers now owning a dedicated e-reader or tablet. The finding is part of the Codex Group's most recent national book shopper survey, which polled 6,250 book buyers on various aspects of their book-buying habits. Codex estimated that the introduction of the $139 Kindle in July helped to spur sales of 800,000 units between June and mid-November, with total units sold estimated at 2.7 million. The growth in Kindle unit sales drove overall e-reader penetration among book shoppers to 14% in November, and penetration levels could reach 22% by mid-2011, Codex predicted. The forecast is based on a dramatic increase in the number of book buyers stating they plan to buy a digital reading device this year.
  But Jones warned that booksellers were being left behind in the race for digital sales. In total 85% of publishers said that they sold books or journals in electronic format, but just 37% of booksellers said they sold content electronically. And while digital sales were below where most people had expected them to be, publishers' expectations of growth far outweighed those of booksellers. While more than half of publishers believed that by 2020 over 20% of their overall sales would be taken by digital books, only one-third of booksellers agreed.
  A series of new British online initiatives is hoping to do for authors what Steve Jobs and iTunes did for the music industry and establish a culture of making micro-payments for small pieces of content: the short story becomes the single-track download, with prices starting at 99p. The newspaper and magazine industries, as they wrestle with the challenge of monetising their content, should be following this closely.
  Google's e-book platform Google Editions will launch in the US before Christmas, it can be confirmed. Speaking at FutureBook 2010, The Bookseller's digital conference, Jason Hanley, strategic partner development, said the launch was now close, and the platform was expected to go live before the holiday season begins.
  Here’s the thing. What we’re looking at here is something called a convenience tax. In buying pd ebooks you’re paying to avoid the hassle of having to go out and look for a free copy. The convenience tax is why, for example, things cost more at a store near the interstate than at one far away. This is a normal part of economics.
  If you’re writing an academic paper and need to cite a Kindle book, you’ll quickly notice a problem: there are no pages, and therefore no page numbers. The wrong approach is to complain about the device for not being a printed book; the better approach is to figure out how to make it work for your research, so you can take advantage of ebooks now instead of waiting for academia to catch up.
  The big question remains: “Where are the revenue streams for digital publishing?” And although much hope is pinned on the iPad (and other tablets), we still don’t know exactly how big this market will be. YouGov, an international internet-based market research firm, offered figures projecting that 12% of the UK population will soon own a tablet, demonstrating the huge potential market for publishers. But while experimenting with content on these devices is still key to learning what will and won’t work, the risk of these experiments not generating revenue makes this learning process difficult for many publishers.
  The best way to protect yourself from this kind of thing is to check with Project Gutenberg when shopping for classics, especially if the book was written before your lifetime. On the Amazon Kindle store, dishonest publishers will frequently remove the original date and substitute a new one, so it’s harder to tell, but you can usually spot an older work if you look carefully.
  To reiterate the underlying idea behind the World Reader project, it is aimed at bringing ebooks to the kids and communities in developing countries, starting in Ghana to test the idea and learn how they have to go about it.   They have gone much further than to simply get their hands on a lot of Kindle ereaders ( for this exercise they have about 440 Kindles) and bunged them into a couple of random schools.  They have engaged thoroughly with the Ghanaian Education Ministry, local publishers and authors, schools and various other grass route organisations in Ghana.  In other words this is a very solidly grounded project.  Carried out by people with a vision and a desire to help the world, but with their feet firmly planted in the real world.
Vídeos

4 de dezembro de 2010

Artes Visuais: Ana Cruz

Licenciada em Português e Inglês na vertente de ensino, Ana Cruz apresenta um percurso fora do comum entre os artistas gráficos. Cedo se apercebe que o ensino não era a sua paixão e opta por um curso Cosmetologia, especializando-se em maquilhagem profissional, formação que naturalmente se repercute nos seus trabalhos fotográficos.
As suas obras inserem-se maioritariamente em duas áreas: a manipulação digital e a fotografia. Nas manipulações procura explorar o lado mais obscuro da mente humana, recorrendo a elementos associados à era vitoriana e ao romantismo literário, temas que se manifestam também nas suas fotografias, embora de forma mais atenuada, dado que nessa vertente se centra na captação de emoções humanas, aproveitando a sua experiência em maquilhagem profissional.
A denominada “dark art” tem vindo a crescer bastante, especialmente em comunidades como o deviantArt, exigindo cada vez mais dos artistas de modo a que possam diferenciar as suas criações dos demais. Nesse aspecto a Ana Cruz tem conseguido, através do seu toque pessoal e da diversidade de temas, evitar o teor repetitivo que se encontra em muitos trabalhos do género, tornando a sua arte apelativa, mesmo quando os temas e emoções que retrata são simples.

Para mais informações:
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...