2 de agosto de 2012

Revista Lusitânia


Acaba de nascer mais um projecto relacionado com a ficção especulativa, com a peculiaridade de procurar fomentar a produção, dentro do género, cuja base essencial assente na cultura portuguesa. O período de submissões para a primeira edição está aberto até 30 de Setembro de 2012. Para mais informações podem consultar o blog da revista, ou a sua página no Facebook.
Portugal é o país onde o único Prémio Nobel da Literatura escreveu fantástico e ficção científica, onde a lenda mais famosa é de um galo zombie e onde um poeta inventou um sistema mágico. É a nação em que todas as terras têm a sua lenda, onde os reis ansiavam por novas do reino de Preste João e onde sobrevivem tradições que, ao fim ao cabo, são rituais mágicos. É neste rectângulo à beira-mar plantado que se fazem experiências científicas únicas no mundo e onde se investigam saberes considerados imorais em muitos países. Com todos estes marcos, que são apenas o topo da lista, é de estranhar haver tão pouca literatura especulativa genuínamente portuguesa.

O que queremos dizer com literatura especulativa genuínamente portuguesa? Estamos a falar de histórias que bebam directamente da cultura em que estamos tão bem enraízados. Basta conviverem com pessoas de outros países e rapidamente notarão que, mesmo dentro da Europa, temos diferenças espetaculares. Estamos a falar de histórias que não se limitem a passar-se em Portugal, mas que o cenário esteja vivo de tal modo que seria impossível trocar o nome da cidade por um estrangeiro sem que pareça fora do contexto.

Vivemos numa era globalizada, é claro, mas isso não significa que tenhamos de perder a nossa identidade. Há que a celebrar! Mestiçá-la com as outras! Afinal, “Deus inventou o branco e o preto e o Português o mulato”.

Por tudo isto e muito mais surgiu a Lusitânia, a revista de contos de literatura especulativa (fantástico, ficção científica, terror, “new weird”, etc) cujo único ponto em comum é usarem como matéria-prima a cultura portuguesa.

Queremos vampiros fadistas, lobisomens a seguir levadas, autómatos a tomar consciência de si no isolamento de um monte alentejano, personagens inquietantes na aldeia de Monsanto, magos na Regaleira e clones numa base secreta no Gerês. Há que pôr os heróis a comer sardinhas no final da aventura, a oferecerem pancadinhas de alho-porro às suas amadas. Falem-nos dos cavaleiros medievais e dos milagres e horrores que estes testemunharam, contem-nos a travessia da fronteira de contrabandistas do Estado Novo, a verdadeira razão da fuga para o Brasil.

Histórias com estes elementos inseridos a martelo irão ser corridas com o mesmo instrumento.

Há tanta coisapor explorar… Queremos surpreender e ser surpreendidos!

Espero que gostem deste projecto.

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