30 de novembro de 2011

Vollüspa - Antologia de contos de literatura fantástica


Roberto Mendes, responsável pela revista Dagon, traz-nos mais uma iniciativa dentro do Fantástico. O conceito é simples: juntar na mesma publicação o trabalho daqueles que dão agora os seus primeiros passos no mundo da escrita, com o de autores mais reconhecidos, tais como Afonso Cruz e Luis Filipe Silva, proporcionando assim uma diversidade capaz de agradar a um leque mais alargado de leitores.
O formato acarreta, no entanto, algumas desvantagens, entre as quais se destaca uma discrepância considerável na qualidade dos contos. Os autores mais inexperientes, talvez pela ânsia de fazer passar uma mensagem, de tornar evidente a simbologia de determinado evento, acabam por debitar informação directamente, retirando todo o encanto à sua história. A grande maioria dos contos incluídos na antologia apresenta uma ideia-base sólida, mas nem todos conseguem executá-la de forma competente, comprovando que não basta conceber algo na nossa mente, é também necessário saber dar vida ao que imaginamos.
Não obstante a oscilação na qualidade, a Vollüspa contém vários contos bem conseguidos. Se das faces mais conhecidas isso seria expectável, a verdade é que alguns dos novos autores conseguem surpreender pela positiva e, através de uma aparente simplicidade da narrativa, mostram como é possível aproveitar as potencialidades do conto e deixar uma forte impressão no leitor.
Gostaria apenas de deixar uma nota final. Ao longo dos últimos anos o fantástico tem vindo a ganhar visibilidade no nosso país, em parte devido ao sucesso internacional das obras de Tolkien, Rowling e Martin, mas também devido a projectos realizados por pessoas ligadas ao apelidado “fandom” que, embora não isento de conflitos, revela uma paixão genuína pelo género. Graças a esse trabalho, a quantidade de publicações e eventos tem vindo a aumentar. Creio, pois, que estes desenvolvimentos abriram uma oportunidade única para educar os leitores, mostrando-lhes que o Fantástico está longe de se limitar ao que se pode encontrar nos títulos mais recentes, assim como para contribuir para uma melhor produção nacional dentro do género, aumentando o grau de exigência ao invés de divulgar indiscriminadamente o trabalho de autores portugueses. Falta espírito crítico no meio, especialmente por parte dos próprios autores, alguns dos quais beneficiariam da leitura desta antologia, dado que nela poderão verificar como é possível impressionar o leitor através de uma ideia bem concretizada, mas também como é fácil desiludi-lo com uma execução medíocre. 

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