5 de setembro de 2011

Ler Dom Quixote

Ler Dom Quixote
Organização: Álvaro Garcia de Zuñiga e Teresa Albuquerque
Data: 20 Setembro (terças-feiras a cada duas semanas)
  Juntar no São Luiz, a cada duas semanas, uma comunidade de leitores. Abordar, como se fôssemos piratas, um texto monumental que vai demorar cento e vinte e seis sessões a ler. Ou seja, um projecto que sabemos quando começa mas ainda não sabemos, nem queremos, quando acaba. Um gesto que sussurrará permanentemente um sub-texto que nos faz bem ouvir. Para nos lembrarmos de como somos frágeis e também fortes, de como é a nossa errância que produz as ficções com que nos enchemos de bravura ou paixão. Para nos lembrarmos das interrogações universais que levantamos a cada passo que damos.
Programar a leitura integral do Dom Quixote de la Mancha é, evidentemente, quixotesco. Por isso mesmo, nada poderia fazer mais sentido. Neste momento, como de resto em qualquer outro, porque na realidade estamos sempre no tempo do Quixote. Assim sendo, lá iremos espetar-nos contra os seus cento e vinte e seis capítulos, como se de moinhos de palavras se tratassem. Os leitores serão muitos, tantos que ainda nem sabemos exactamente quantos. Começaremos por dois: José Luís Ferreira e Alínea Berlitz Iissilva. É que, aos três juntos, pode-se-nos responsabilizar, quando não culpabilizar, por ter tido esta ideia. O mesmo vale para os comentadores – dos quais, como podeis ver, sou eu já o primeiro – mas que serão também aos montes e variadíssimos, como os leitores. E acredite-se, vai ser divertido. Divertidíssimo, diria! Porque o Quixote é um livro muitíssimo divertido. E diverso. Tanto, que iremos desbravando caminho e temas, sem nos fixarmos numa direcção precisa – como, por acaso, ele mesmo fez ao deixar o seu cavalo, Rocinante, livre de escolher o rumo de suas andanças. Além das surpresas que da leitura virão, teremos outras… Já que não só de ler se trata, mas também de falar, comentar, discutir, pôr em relação, fazer música, teatro e até passar filmes e tudo o mais. É que, em definitivo, o mundo do Quixote não encerra em si o Mundo, ultrapassa-o.

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