30 de novembro de 2010

As Três Vidas, João Tordo


As Três Vidas
2008

Autor: João Tordo
Editora: Quidnovi
Páginas: 304
ISBN: 978-989-628-035-7

  “O que foi verdade e o que é, inevitavelmente, ficcionado, devido aos limites da memória, não importa – em última análise, a própria realidade é objecto de ficção. O mais importante é libertar-me dos fantasmas, pois acarreto com as sombras de todas as coisas a que não tive coragem para colocar um fim. Isso reflecte-se, sobretudo, nos meus sonhos: ao contrário da crença habitual, não me parece que os sonhos sejam o espelho dos nossos desejos; cá para mim, acho que os sonhos são o espelho dos nossos horrores, dos nossos piores medos, da vida que poderíamos ter tido se, numa altura ou noutra, não fôssemos incomensuravelmente cobardes.”
Com o seu terceiro romance João Tordo vê o seu trabalho reconhecido através do Prémio Literário José Saramago, afirmando-se assim no panorama literário português através de um estilo que, apesar das evidentes influências que nele se fundem, lhe permite alcançar uma voz própria.
As Três Vidas é uma obra ambiciosa, apresentando diversos enredos cruzados em que o autor consegue, com sucesso, entrelaçar a história pessoal do narrador com alguns dos principais acontecimentos da História mundial, desde intrigas políticas a crimes sangrentos, culminando na maior tragédia do séc. XXI.
  “Compreendi, nesse tempo de desilusão, algumas das coisas que Milhouse Pascal me tentaria ensinar: que, preenchidas que estão as necessidades primeiras da vida, o espírito torna-se ágil e vagabundeia, lançando sobre o mundo as trevas próprias da sua condição. Ignorância é força, escrevera Orwell: quanto mais pensava sobre tudo, mais facilmente perdia aquilo em que pensava, e a matéria palpável de que é feito o mundo parecia começar a fugir-me debaixo dos pés.”
Após a morte do pai, o protagonista vê-se obrigado a preservar o bem-estar da sua família, acabando por conseguir ser admitido como arquivista de António Augusto Milhouse Pascal, homem misterioso e abastado que se refugia num casarão no Alentejo: a Quinta do Tempo. Isolado do mundo, num clima de suspense digno de um conto de Poe, vai descobrindo progressivamente o teor da actividade do seu patrão, e acaba por se apaixonar pela neta mais velha de Pascal, Camila – três vidas ligadas de forma determinante.
As revelações são efectuadas num ritmo apropriado, permitindo acompanhar os dilemas pessoais do narrador enquanto vamos conhecendo alguns dos clientes de Augusto Pascal que, de alguma forma, tiveram um papel importante em certos episódios históricos. O autor consegue assim um equilíbrio importante, refrescando o interesse do leitor pela vida de cada uma das personagens sem nunca nos saturar com uma pormenorização exagerada e desnecessária.
  “Tentando concentrar-me na leitura, olhava para o poster de Philippe Petit por cima da minha cama e via aquele homem desconhecido como uma figura mais real do que a gente de carne e osso, uma companhia das horas mortas que, tal como eu, procurava atravessar uma corda bamba que, a qualquer momento, ameaçava desaparecer sob os seus pés, revelando finalmente os abismos insondáveis do mundo.”
Paira ao longo de todo o romance uma sensação de incerteza, resultante da inexperiência do jovem protagonista que, envolto num processo de autodescoberta, é confrontado por uma sucessão de acontecimentos para os quais não se encontrava preparado. Impulsionado pelas circunstâncias e por um estado emocional instável, acaba por cometer actos que o irão assombrar ao longo de muitos anos.
Assim, As Três Vidas representa um acto de expiação por parte do narrador que pretende exorcizar definitivamente os fantasmas do passado, sendo também um livro sobre a coragem necessária para enfrentar a imprevisibilidade inerente às nossas vidas, sobre a determinação que nos impede de cair no abismo.
  “A presença física não é prova de nada. O lugar onde vivemos é o lugar que habitamos em espírito. E, em espírito, nunca regressei. Estou espalhado pelas almas de todas as pessoas que conheci, de todas as coisas que, por lhes ter tocado, modifiquei. Irás aprender isso com o tempo. Um homem não é uma entidade, são muitas e, se não nos decidimos, a tempo certo, por uma delas, acabamos feitos em retalhos.”

Revista Bang! n.º 8 disponível para download

Já se encontra disponível em formato digital o oitavo número da revista Bang!, podendo o seu download ser efectuado no site da Saída de Emergência.
   Ficção

  • M., de malária – José Eduardo Agualusa
  • Com a Manhã Chega a Neblina – Georde R. R. Martin
  • A Boa Gente de Sodoma – Matthew Rossi
  • Os Cascos e o Casebre de Abdel Jameela – Saladin Ahmed
  • Felicidade – Inês Botelho
  • As Cidades do Segundo Esquerdo – Afonso Cruz
 Não ficção

  • Ilustrador da Capa –Alejandro Dini
  • A (minha) História de Duna – Jorge Candeias
  • Os Livros das Minhas Vidas – Afonso Cruz
  • Távola Redonda - David Soares, Martin S. Braun, Ana Vicente Ferreira, Inês Botelho, Telmo Marçal
  • Os Mundos Imaginários do Fantástico Português – António de Macedo
  • Legolas : Rói-te de Inveja – R. A. Salvatore
  • Nova Vaga, Novas Capas – Pedro Piedade Marques
  • Fantasia Urbana ou Romance Paranormal – Safaa Dib
  • The Walking Dead – João Miguel Lameiras

28 de novembro de 2010

Leituras Digitais (21 a 27 de Novembro)


Rubrica semanal de notícias e artigos relacionados com a edição de livros digitais.

  Google (motto: "Do No Evil") insist that they are working for the good of the reader, liberating otherwise moribund texts from the darkness and isolation of library shelves. That's been its consistent position, but I just don't buy it, long-term. Never mind the ongoing litigation about the proper remuneration of copyright holders (aka authors), it is inconceivable that, having made this investment and undertaken this extraordinary programme (for that's what it is), Google will not ultimately seek to extract some commercial advantage. That day has not yet come, but as the ebook revolution gathers momentum in the USA and worldwide, I predict that Google will find a way of "revisiting" the noble, altruistic stance of the GPI.
  It’s nearly a year since the first FutureBook conference in London. To mark the year we ask those working in the digital publishing industry about the best bits of the last twelve months and their predictions for 2011!

  Many colleges are trying to implement new plans where students pay a course materials fee which would be used towards buying e-books, or online versions of textbooks, which purport to save students money.
  A study conducted by the National Association of College Stores, “Defining the College Store of 2015,”  found that electronic textbooks are cheaper than printed textbooks, and are causing many universities to seriously consider making the switch.
  eBook sales almost doubled over 2010 and now make up 9% of total consumer book sales, according to the Association of American Publishers. This growth was fueled by intense competition amongst eReader manufacturers over 2010. Amazon Kindle, Sony Reader, Barnes & Noble Nook and others attempted to undercut each other throughout the year. Further, the iPad arrived in 2010 and added to the choices for eBook consumers.
  In the research, Steckl and UC doctoral student Duk Young Kim demonstrated that paper could be used as a flexible host material for an electrowetting device. Electrowetting (EW) involves applying an electric field to colored droplets within a display in order to reveal content such as type, photographs and video. Steckl's discovery that paper could be used as the host material has far-reaching implications considering other popular e-readers on the market such as the Kindle and iPad rely on complex circuitry printed over a rigid glass substrate.
Vídeos

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Nook Color PDF, Word, Excel, and Powerpoint abilities

23 de novembro de 2010

Festa dos livros Gulbenkian 2010

(Clicar na imagem para aceder à programação da feira)
  A Festa dos Livros Gulbenkian 2010 abre na próxima quinta-feira, 25 de Novembro, e poderá ser visitada até 23 de Dezembro, todos dias, das 10h00 às 20h00. Na Loja do Museu Calouste Gulbenkian e na Livraria da Sede da Fundação Gulbenkian estarão disponíveis publicações editadas pela Fundação a preços reduzidos, bem como outros produtos com a marca da Fundação.

22 de novembro de 2010

Citações

  “Vigorous writing is concise. A sentence should contain no unnecessary words, a paragraph no unnecessary sentences, for the same reason that a drawing should have no unnecessary lines and a machine no unnecessary parts. This requires not that the writer make all sentences short or avoid all detail and treat subjects only in outline, but that every word tell.”

                        William Strunk Jr., The Elements of Style

21 de novembro de 2010

Leituras Digitais (14 a 20 de Novembro)

Rubrica semanal de notícias e artigos relacionados com a edição de livros digitais.

  Of course, we should expect some level of Darwinian elimination along with spontaneous creations. Within a short period of time, all tools needed to transform the industry will become available and affordable. Books and long form reading shouldn’t be counted out, only some of today’s participants will be.
  He is right that people love books. But what he (and they) really mean when they say that they love books is that they love the ideas that books convey and the feelings they get from reading books. This is where I have news for the industry: those ideas can be delivered and those feelings can be evoked digitally. In some cases even better than before, and in all cases, more cheaply than before. Some readers with a thing for technology will get there first (shifting a majority of book reading to digital, as today’s eReader owners have) while others will take some time to catch up—indeed, large numbers will never read digitally. But they will not have access to the same pool of literature that eBook readers do.
  Com a compra da Bertrand tornou-se, aos 55 anos, o rosto de um grupo que emprega 1400 pessoas e deverá facturar, em 2011, 150 milhões de euros. É um apologista da concentração editorial, porque esta evita que a indústria do livro fique nas mãos de estrangeiros e lhe dá melhores condições para enfrentar os desafios do digital.
  Delta Electronics, a huge Chinese maker of all manner of display systems and lighting have just announced that they are well advanced with the design of a 3D e-ink technology, and intend to have it on the market some time in 2011.
  E-book consumers say they are buying more books overall, but fewer in print, and are decreasing their total dollars spent, according to new research from the Book Industry Study Group (BISG). The sales shift is just one key finding in the first installment of the 2010-2011 cycle of BISG's Consumer Attitudes Toward E-Book Reading survey set.
  There were fears that Europeana and Google Books would be in direct conflict, but they now appear to be occupying different positions. Cultural institutions from all E.U. member states have contributed items to Europeana. Furthermore the institutions retain control over their content. Europeana operates as a portal to the content rather than storing it itself. The institutions organize their digitized content to make search possible, inviting users to read a book, play a video or listen to an audio recording that is stored on the servers of the contributing institutions.
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19 de novembro de 2010

Lançamento da revista PESSOA

A revista PESSOA será lançada no 2º Congresso Internacional Fernando Pessoa, a realizar-se entre 23 e 25 de Novembro no Teatro Aberto, em Lisboa. A publicação terá uma periodicidade trimestral e conta, neste primeiro número, com colabores como Eduardo Lourenço, Teresa Rita Lopes, Caetano Veloso e João Botelho.
  "De acordo com a Directora da Casa Fernando Pessoa, “falta a Portugal uma revista de ensaio, que exceda os compartimentos da indagação literária – ensaio é experimentação, risco, excesso. A obra de Fernando Pessoa é isso: uma obra contaminada e contaminável, sem medo de cruzar e misturar fronteiras. Esta revista procura cumprir o desígnio desbravador dessa obra”. Aos ensaios publicados neste primeiro número da revista PESSOA junta-se um conjunto de poemas inéditos de Ana Luísa Amaral e Maria Lúcia Dal Farra, bem como portefólios de José David, Jorge Colombo e Graça Morais. Destaque ainda para a divulgação do Filme do Desassossego de João Botelho, e da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa, agora também online pela mão de Jerónimo Pizarro, Patrício Ferrari e Antonio Cardiello."

                                                     via Mundo Pessoa

17 de novembro de 2010

III FESTA DO LIVRO NO MUSEU DO ORIENTE

 "A III Festa do Livro do Museu do Oriente proporciona ao público a possibilidade de adquirir, a preços inferiores aos habitualmente praticados, os títulos que constam do vasto catálogo publicado pela Fundação Oriente ao longo de duas décadas de edições. Trata-se de um conjunto de obras dedicadas ao estudo da presença da língua, cultura e história dos portugueses na Ásia, de edições críticas de fontes históricas ou de traduções para chinês de textos relevantes da literatura e história portuguesas."
A terceira edição da Festa do Livro do Museu do Oriente decorre entre 19 de Novembro e 5 de Dezembro, das 10:00 às 18:00 horas, com excepção das sextas-feiras, em que o horário é alargado até às 22:00 horas. A entrada é gratuita.
Para mais informações acerca do Museu do Oriente, podem consultar o seu website.

16 de novembro de 2010

Os Nossos Antepassados, Italo Calvino


Os Nossos Antepassados
1997 (Data original de publicação: 1952-1959)

Título Original: I Nostri Antenati
Autor: Italo Calvino
Editora: Círculo de Leitores
Tradução: José Manuel Calafate e Fernanda Ribeiro
Páginas: 435
ISBN: 972-42-1533-4
 “Recolho neste volume três histórias que escrevi no decénio 1950-1960 e que têm em comum o facto de serem inverosímeis e de decorrerem em épocas distantes e em terras imaginárias.”
Na trilogia Os Nossos Antepassados, Italo Calvino procura, enveredando pelo género fantástico, analisar de uma posição privilegiada as relações sociais, políticas e morais que o ser humano estabelece e, sobretudo, observar as suas diferentes formas de auto-realização, tema transversal às três histórias.
 “Quando eu estava inteiro, todas as coisas me pareciam naturais e confusas, estúpidas como o ar; julgava ver tudo e afinal distinguia apenas a superfície. Se alguma vez tu vieres a ficar reduzido a metade de ti mesmo, e faço votos para que assim seja, meu rapaz, compreenderás então muitas coisas para além da vulgar inteligência dos cérebros inteiros. Terás então perdido metade do mundo e de ti mesmo, mas a metade que restará será mil vezes mais profunda e preciosa.”
Em O Visconde Cortado ao Meio, Medardo de Terralba em combate contra os turcos é mutilado por um tiro de canhão que o divide em duas metades, incidente cujas repercussões se manifestam não só a nível físico, mas também a nível moral, dado que uma metade demonstra uma invulgar crueldade, enquanto que a outra manifesta uma bondade extrema. Tal contraste realça a perda da harmonia inicial, perda essa que provoca uma ânsia por uma nova completação que serve como principal motor da narrativa. Essa clivagem, no entanto, não se restringe a Medardo, aplicando-se também a certas personagens e grupos sociais, reflectindo tanto o ambiente de tensão sentido no período em que o autor escrevia (em plena Guerra Fria), como temas caros à sociologia, como é o caso da alienação do homem na vida em sociedade.
Um conto em que de forma simples, que por vezes se confunde com ingenuidade, Calvino estilhaça as falsidades com que o homem se encobre, revelando-nos a sua verdadeira natureza.
 “Dir-se-ia que ele, quanto mais se decidia a viver completamente isolado nos seus ramos, maior necessidade sentia de criar novas relações entre si próprio e o género humano. Mas por mais que se dedicasse, de alma e coração, a organizar uma nova sociedade, estabelecendo-lhe meticulosamente os estatutos, a finalidade, e escolhendo com cuidado os homens mais dotados e capazes para desempenhar todos os cargos, nunca os seus companheiros sabiam, contudo, até que ponto podiam contar com ele, quando, como e onde poderiam encontrá-lo ou quando ele, imprevisivelmente, se sentiria preso pela sua natureza de pássaro livre e não se deixaria mais apanhar por ninguém.”
O Barão Trepador apresenta-nos o jovem Cósimo que decide voluntariamente viver sobre as árvores. Tal decisão não deve ser confundida com uma fuga da sociedade, como um mero isolamento da realidade, porque Cósimo, apesar da solidão inerente ao estilo de vida que escolheu, adopta uma postura mais activa, estabelecendo diversas relações com as pessoas da região. Esta auto-imposição define Cósimo, que pela sua singular determinação e disciplina se destaca dos demais, atingindo assim a plenitude que Medardo nunca veio a alcançar.
Ao contrário de O Visconde Cortado ao Meio, neste romance Calvino estabelece várias relações com personagens e acontecimentos históricos do séc. XVIII, tais como Napoleão e Voltaire, muito embora mantenha a natureza imaginária do relato.
Um triunfo da excentricidade sobre os valores pré-estabelecidos, preenchido pelos insólitos acontecimentos da vida do barão, mas que se alonga demasiado, fazendo lembrar o velho Bilbo Baggins ao descrever como se sentia antes de partir para sempre de Hobbiton (“sort of stretched ... like butter that has been scraped over too much bread”).
“Ele, Agilulfo, tinha sempre necessidade de sentir perante si as coisas como um espesso muro, ao qual contrapunha a força da sua vontade. Só assim conseguia manter uma segura consciência de si mesmo. Se, pelo contrário, o mundo que o envolvia se espumava, se tornava incerto, ambíguo, então também ele se sentia imergir na doce penumbra, e não conseguia mais fazer brotar, deste vazio, um pensamento distinto, um movimento voluntário, uma ideia fixa.”
Finalmente, em O Cavaleiro Inexistente, encontramos o guerreiro Agilulfo, personagem incorpórea representando a “inexistência dotada de vontade e consciência”, e o invulgar Gurdulù, que apesar da sua existência física, é privado da consciência da sua individualidade. Representando pólos extremos e opostos, servem de base para a busca das restantes personagens (e de todos nós?), a busca de uma identidade, “a conquista do ser”. Entre estas considerações, entrelaçam-se duas sequências temporais, assim como um subtil exame do processo de escrita e das suas contradições.
De entre as três narrativas é, porventura, a mais linear, mas também aquela que proporciona um leque mais variado de interpretações.

Tipicamente reconhecido pelo seu lado neo-realista, Italo Calvino consegue, através do fantástico, evidenciar traços que nos ligam aos nossos antepassados, características intemporais que nos definem e dão sentido à nossa existência.
 “A arte de escrever histórias está no saber tirar das pequenas coisas, que se apanham da vida todo o resto; mas acabada a página retorna-se à vida e apercebemo-nos de que o que sabíamos era o mesmo que nada.”

14 de novembro de 2010

Fórum Fantástico 2010: Vídeos

Tal como o título indica, neste post pretendo compilar as gravações disponibilizadas na Internet, desde já agradecendo a todos os que se deram ao trabalho de gravar as diversas sessões. Colocarei aqui apenas a primeira parte de cada série de vídeos, seguida dos links para as partes posteriores, assim como a indicação de quem efectuou a gravação.
Continuarei a actualizar o post sempre que surgir novo material de interesse e espero que seja útil para quem não pôde participar no evento ou para aqueles que, como eu, tiveram apenas oportunidade de fazer uma breve visita.

Dia 1

Lançamento de “A simbólica do espaço em O senhor dos anéis de J.R.R. Tolkien”
Filmado por Luís Rodrigues.

Dia 2

A Mecânica da Escrita Fantástica (I) – “Worldbuilding”, por Ricardo Pinto
Parte VI

A Mecânica da Escrita Fantástica (II) – “Invented Technology and Atmosphere”, por Stephen Hunt
A Mecânica da Escrita Fantástica (III) – “Characters and Characterization”, por Peter V. Brett
Disponibilizados pela Raquel Garrido através do seu blog.

Painel “Lisboa Fantástica”, moderado por Rui Tavares, com João Barreiros, David Soares e Octávio dos Santos
Gravação de Paulo Brito

Ou, em alternativa, a versão da Raquel:

Lançamento de 'A Luz Miserável'

À Conversa com Ricardo Pinto, por Rogério Ribeiro

À Conversa com Stephen Hunt, por Luís Corte-Real

À Conversa com Peter V. Brett, por Pedro Reisinho

Disponibilizados pela Raquel Garrido através do seu blog.

Curtas

Nesta secção podem encontrar as curtas exibidas no Fórum Fantástico ou o seu trailer, caso não esteja disponível a versão integral.

A Audição, de Francisco Campos e Henrique Bagulho (trailer)

Nocturna, de Francisco Carvalho (trailer)

A Aposta, de Vasco Sequeira

A Noiva, de Ana Almeida

Leituras Digitais (7 a 13 de Novembro)

Rubrica semanal de notícias e artigos relacionados com a edição de livros digitais.

  Consider it an inauguration of sorts, a celebration of the e-book industry becoming a member of the major media club just as digital music and online video have before them. When you influence a billion dollars, people have to take you seriously. In the book business, it means that traditional publishers can no longer live in deny-and-delay mode; meanwhile, digital publishers get invited to better parties and people in other media businesses like TV and magazines look over and wonder if they could cut a slice of this new pie just for them.
  As many commentators have been saying for some time, as the idea of eReaders becomes more established, we are now seeing that both ends of the market are growing.  At the top end we have  sophisticated devices such as the Entourage and Kindle 3, and at the other end there are now an increasing number of cheap, almost throw-away eReaders coming onto the market.   Prices for some of these low end models have gone down to less that 80 USD a piece, and will get even cheaper in time.
  If there’s one overlooked opportunity that the reports identifies, it’s the preservation of digital content. “Congress libraries, national and private, have already begun digitizing paper-based content to secure its preservation,” says the report. “It is a colossal task requiring equally large investments. And it is unclear how digitally born contents will be sifted, particularly in non-linear, hybrid and social formats,” adding, “What is transient and what is heritage? The great classics of digital publishing age of yet to be written.”
  The whole e-book market is rapidly evolving, and a lot of self-publishing companies are offering e-book deals bundled into their print book publishing packages, which makes them harder to break out and evaluate. It's all quite complicated, and in an effort to sort through the confusion, I've decided to offer a few basic tips and present what I think are some of the best options out there for creating an e-book quickly and easily. As things change--and they will--I'll do my best to keep this column up to date.
  There is a new website dedicated to reviewing digital books called Dailyebookreviews.com. The site will feature daily reviews of eBooks in the science fiction, fantasy, horror and thriller genres. In addition to the daily reviews, the editors on the site will feature one title a day as the “Daily Pick” and feature one author a week in the “Spotlight On” column.
  We’ve mostly all bought into the myth that copyright exists mainly to benefit the artist and for the good of all mankind. It might be good to remember that it was created for business purposes, and it’s meant to protect companies from having their work seized by competitors.
  The publishing industry seems to have only become more atomized as the digital revolution works its disruptive magic, and most of the chatter these days focuses on a problem that hasn’t yet been accurately measured or defined. If instead we could start working on these other more concrete problems, we might create real opportunities for authors and publishers to reach paying customers.
  Libraries will have to embrace digital books to stay relevant to readers looking for books. Of course libraries' relevance involves much more than simply being a repository for books, e- or otherwise. Libraries are community centers. They are places where people can access not just literature and the latest magazines, but also find Internet access and computer stations.
  In an acknowledgment of the growing sales and influence of digital publishing, The New York Times said on Wednesday that it would publish e-book best-seller lists in fiction and nonfiction beginning early next year.
  The lists will be compiled from weekly data from publishers, chain bookstores, independent booksellers and online retailers, among other sources.
  The ebook market is a battle of the titans. It's Amazon versus Apple versus Barnes & Noble versus Sony. It also crucially involves all the big publishers, who are scared of going digital but know they must embrace it lest they go the way of the music industry, and so have been taking two steps forward and one step back.
  But Amazon played beautifully every step of the game. And now, in a market that is growing very big, very fast, and probably has strong network effects, it has an early lead which makes us think it will end up dominating it.
  The Kindle is, in other words, what Marshall McLuhan referred to as a "horseless carriage", the term first given to automobiles – in other words, an in-between stage on the way to a technological leap that we haven't quite grasped yet. The Kindle's one-dimensionality is strategic, but it is also short-sighted. Everything is pointing to the likelihood that the book will be absorbed into a multimedia world in which we switch from text to video to the internet in quick succession – some even believe all at the same time.
Vídeos

Demo FnacBook

Orizon vs Sony PRS-650

E Ink Triton Imaging Film

11 de novembro de 2010

Homenagem a Saramago

No próximo dia 16 de Novembro, data em que o escritor celebraria 88 anos, as Bibliotecas Municipais de Lisboa, em parceria com a Fundação José Saramago, homenageiam o Prémio Nobel da Literatura. O evento realiza-se na Biblioteca Municipal Palácio Galveias em Lisboa, contando com a presença de Pilar del Rio e de António Costa.
Programa, com início às 12h30:
  • Dramatização de obras de José Saramago, pelo grupo de teatro Câmara dos Ofícios
  • Descerramento da placa
  • Discursos de homenagem proferidos por Pilar del Rio, pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa António Costa e pela Srª Chefe de Divisão de Gestão de Bibliotecas da CML Susana Silvestre
  • Abertura da Sala José Saramago aos utilizadores da Biblioteca Municipal Palácio Galveias.

Arquivo aúdio das sessões de Faulkner na Universidade de Virgínia

  "In December, 1957, getting ready to begin his second Spring semester at the University of Virginia, Faulkner joked in a letter that he was "just the writer-in-residence, not the speaker-in-residence." He certainly wrote while he was here, including much of The Mansion, but did more than enough speaking to earn that second title. Between February and June, 1957, and February and May, 1958, at thirty-six different public events, he gave two addresses, read a dozen times from eight of his works, and answered over 1400 questions from audiences made up of various groups, ranging from UVA students and faculty to interested local citizens. Most of those sessions were recorded on the advanced technology of that time – the reel-to-reel tape recorder. In this archive you can hear 1690 minutes (over 28 hours) of those recordings."

10 de novembro de 2010

Fahrenheit 451, Ray Bradbury


Fahrenheit 451
2003 (Data original de publicação: 1953)

Autor: Ray Bradbury
Editora: Público, Colecção Mil Folhas
Tradução: Mário Henrique Leiria
Páginas: 159
ISBN: 84-96200-92-2


  “Era um prazer muito especial ver as coisas arderem, vê-las calcinar-se e mudar.
Punho de cobre na mão, armado desse imenso piton que cuspia o veneno da sua gasolina sobre o mundo, sentia o sangue bater-lhe nas têmporas e as suas mãos tornavam-se as mãos de uma espécie de maestro prodigioso dirigindo todas as sinfonias do fogo e do incêndio, ao ritmo das quais se desmoronavam os farrapos e as ruínas carbonizadas da história.”
Assim começa Fahrenheit 451, através deste acto de destruição que dá sentido à existência do bombeiro Guy Montag, num futuro em que o objectivo da profissão degenerou para a queima de livros, cuja posse e leitura é totalmente proibida. Essa drástica mudança só pode ser compreendida tendo em conta a sociedade que Bradbury nos apresenta, uma sociedade industrializada em que a influência tecnológica se expandiu, simplificando ao extremo a vida das pessoas e corrompendo totalmente o seu espírito crítico. Neste mundo, o ser humano é encorajado à acção e, em contrapartida, levado a por de lado toda a complexidade inerente às emoções, a eliminar qualquer pensamento que possa causar ou ser associado a infelicidade.
  “As aulas tornam-se mais curtas, a disciplina é relaxada, a filosofia, a história, as línguas abandonadas, o inglês e a sua pronúncia abastardados pouco a pouco e, finalmente, quase ignorados. Vive-se no imediato. Apenas conta o trabalho e, após o trabalho, a dificuldade da escolha de uma distracção. Para quê aprender qualquer coisa, além de carregar botões, ligar comutadores, enroscar parafusos e porcas?”
E, ao contrário do que seria de esperar, tal corrupção do modo de pensar deu-se, não por imposição política, mas devido ao progresso tecnológico, à exploração do factor massa e à pressão exercida pelas diversas minorias num mundo sobrepovoado. Neste estado de felicidade artificial, os livros são substituídos por formas mais imediatas de entretenimento como a televisão e o desporto, e em que quaisquer diferenças capazes de suscitar conflitos são eliminadas, levando à homogeneização da sociedade, algo que permite manter esse ilusório estado de contentamento em que a humanidade se vê mergulhada.
  “Devemos ser todos parecidos uns com os outros. Ninguém nasce livre e igual aos outros, como diz a constituição, mas cada um é modelado conforme os outros; todo o homem é a imagem do seu semelhante e, assim, toda a gente fica satisfeita. Já não existem montanhas para esmagar os vizinhos e provocar comparações.”
É ao estabelecer contacto com uma jovem e estranha rapariga que Montag começa a questionar-se, a ponderar sobre o significado da sua vida e, eventualmente, apercebe-se do estado de completa alienação em que se encontrava. Tal revelação desperta emoções reprimidas, como o medo e a insegurança, mas ao mesmo tempo permite que a razão triunfe sobre o mero instinto, dotando-o de uma liberdade intelectual que nunca tinha sentido antes.

Mais de 50 anos após a sua primeira edição, Fahrenheit 451 permanece assustadoramente actual, colocando uma inquietante questão:
Precisamos de nos auto-destruir para mudar o nosso rumo? Será que possuímos a capacidade e inteligência necessárias para corrigir os nossos erros, ou teremos de perecer para que outros tomem as rédeas do futuro da humanidade?
Se por um lado Bradbury permite um lampejo de esperança nesta sua distopia (ao contrário do que acontece em 1984 de Orwell ou Admirável Mundo Novo de Huxley), o preço a pagar por essa ténue hipótese de renovação foi bastante alto.
  “Granger olhou fixamente as chamas.
- A Fénix – disse.
- O quê?
- Era um pássaro estúpido, muito anterior a Cristo; todos os cem anos fazia uma fogueira e carbonizava-se. Devia ser um dos próximos parentes do homem. Mas, cada vez que se consumia, ressurgia das chamas e de novo nascia. Tenho a impressão que fazemos o mesmo, mas com uma vantagem sobre a Fénix: sabemos perfeitamente o que fazemos. Sabemos perfeitamente o que fizemos durante séculos e, se não o esquecemos, se guardamos consciência disso, temos uma oportunidade de renunciar um dia a construir essas fogueiras para nos lançarmos nelas. A cada geração, reunimos novos homens que se recordam.”
Em poucas páginas, com um discurso fluído e simples, em que o autor peca apenas pelo uso abusivo da metáfora (algo que o próprio admite), Ray Bradbury criou um livro cuja mensagem ecoará através dos tempos, num eterno e poderoso aviso acerca do perigo da ignorância e, ao mesmo tempo, encorajando os seus leitores a trilhar o caminho do conhecimento.
“É isto que o homem tem de maravilhoso. Ele nunca perde a coragem, nunca se desilude ao ponto de tudo abandonar, pois conhece muito bem a importância e a grandeza da sua tarefa.”

8 de novembro de 2010

Programação do Fórum Fantástico

É já na próxima sexta-feira, dia 12 de Novembro, que se inicia o 5.º Fórum Fantástico, contando com a presença de escritores como Stephen Hunt, Peter V. Brett e Ricardo Pinto. A programação completa dos três dias do evento pode ser consultada abaixo:
  12 de Novembro, Sexta-Feira:

14:30 – Abertura.

15:00 – Painel “Clássicos da Ficção Científica Portuguesa”, com Luís Filipe Silva, António de Macedo, João Barreiros e João Seixas.

16:00 – Painel “Nova Fantasia Portuguesa para Novos Leitores”, com Fábio Ventura, Bruno Martins Soares e Bruno Matos.

17:00 – Painel “Arte Fantástica”, moderado por Ana Maria Baptista.

18:00 – Intervalo.

18:30 – Lançamento “A Simbólica do Espaço em O Senhor dos Anéis”, com a autora Maria do Rosário Monteiro.

19:00 – Painel “Fantasia Portuguesa no Feminino”, com Madalena Santos, Inês Botelho e Susana Almeida.

13 de Novembro, Sábado:

10:30 – A Mecânica da Escrita Fantástica (I) – “Worldbuilding”, por Ricardo Pinto.

11:15 – A Mecânica da Escrita Fantástica (II) – “Invented Technology and Atmosphere”, por Stephen Hunt.

12:00 – A Mecânica da Escrita Fantástica (III) – “Characters and Characterization”, por Peter V. Brett.

14:30 – “Fórum Fantástico: 5 anos, e agora?”, à conversa com Rogério Ribeiro e Safaa Dib.

15:00 – Painel “Lisboa Fantástica”, moderado por Rui Tavares, com João Barreiros, David Soares e Octávio dos Santos.

16:00 – Cinema Fantástico Português – Curtas.

17:00 – Intervalo.

17:30 – Lançamento “A Luz Miserável”, com o autor David Soares.

18:00 – À Conversa com Ricardo Pinto, por João Seixas.

18:30 – À Conversa com Stephen Hunt, por Luís Corte-Real.

19:00 – À Conversa com Peter V. Brett, por Pedro Reisinho.

19:30 – Sessão conjunta de autógrafos.

14 de Novembro, Domingo:

10:00 – Kafeeklatsch – Blogues Nacionais do Fantástico (em local a combinar).

11:30 – A Mecânica da Escrita Fantástica (IV) – “Quando a Realidade se mistura com o Fantástico”, por David Soares.

12:15 – A Mecânica da Escrita Fantástica (V) – “Noções de Guionismo Cinematográfico para Contistas e Romancistas”, por Luís Pereira (Monomito Argumentistas).

15:00 – Sugestões de Leitura, com Ana Cristina Alves e João Barreiros.

15:30 – Painel “Banda-Desenhada”, com Filipe Melo, Nuno Duarte, Osvaldo Medina, Rui Ramos, Fil, André Oliveira e Diogo Carvalho.

17:00 – Painel “Fantástico como forma literária”, moderado por João Morales, com Afonso Cruz e João Pedro Duarte.

18:00 – Intervalo.

18:30 – Cinema Fantástico Português – Curtas.

20:00 – Encerramento.

  Durante o evento estará disponível uma Feira do Livro Fantástico, gerida pela livraria Dr. Kartoon.
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