30 de setembro de 2010

Mark Twain: Colóquio e Exposição

  Para assinalar o centenário da morte de Mark Twain (1835-1910), o grupo de investigação de Estudos Americanos, estabeleceu uma parceria com a Universidade de Coimbra e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento para a realização de uma jornada em que se discutirá a sua obra, seu contexto, sua fortuna e impacto na sociedade e artes actuais, com presença de especialistas internacionais, a 8 de Outubro.
Durante todo o mês de Outubro, haverá ainda uma exposição biblio-iconográfica sobre a recepção de Mark Twain em Portugal, na Biblioteca Nacional de Portugal, preparada por um núcleo de especialistas, membros ou colaboradores do CEAUL.

Podem consultar o programa do colóquio na página da Fundação Luso-Americana, ou neste pdf.

27 de setembro de 2010

A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón

A Sombra do Vento
2004 (Data original de publicação: 2001)

Título Original: La Sombra del Viento
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Publicações Dom Quixote
Tradução: J. Teixeira Aguilar
Páginas: 400
ISBN: 972-20-2709-3

“- Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. (...)
Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando um livro se perde no esquecimento, os que conhecemos este lugar, os guardiães, asseguramo-nos de que chegue aqui. Neste lugar, os livros de que já ninguém se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mãos de um novo leitor, de um novo espírito.”
É em 1945, numa Barcelona destroçada pela guerra civil que o jovem Daniel Sempere é levado pelo seu pai ao Cemitério dos Livros Esquecidos. Neste autêntico labirinto borgiano, Daniel escolhe um livro para proteger, de nome A Sombra do Vento, escrito pelo desconhecido Julián Carax, casualidade que terá importantes consequências na sua vida.
Neste romance Zafón condensa diversas influências, apresentando desde traços característicos do romance gótico a alguns vestígios de realismo mágico que, embora ténues, se vão insinuando ao longo da história, fazendo lembrar o estilo do colombiano Gabriel Garcia Marquez. Essa fusão é deliberada, revelando a ambição de Zafón em proporcionar ao leitor uma experiência cativante e intensa.
“Numa ocasião ouvi um cliente habitual comentar na livraria do meu pai que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração. Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo – não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos –, vamos regressar.”
A Sombra do Vento marca profundamente Daniel, de tal forma deslumbrado que se surpreende ao descobrir que a obra de Carax não só foi um fracasso de vendas, como tem vindo a ser destruída por uma misteriosa figura que não poupa esforços para queimar todos os exemplares ainda existentes. O seu interesse pelo autor impulsiona-o a tentar descobrir mais sobre este, curiosidade que acabará por o envolver em circunstâncias cada vez mais perigosas.
Embora a perspectiva de Daniel seja predominante, a história ramifica-se nas suas investigações, efectuadas nos 40 e 50, e no passado do próprio Julián Carax, pontos a partir dos quais o enredo se fragmenta ainda mais, ora acompanhando a vida do jovem livreiro, ora mergulhando no passado das diversas personagens envolvidas com Carax, secções que normalmente se destacam pelo uso de itálico e pelo discurso na terceira pessoa.
“A sua alma está nas suas histórias. Numa ocasião perguntei-lhe em quem se inspirava para criar as suas personagens e ele respondeu-me que em ninguém. Que todas as personagens eram ele próprio.”
A acção é polvilhada por diversas considerações a respeito da relação entre o leitor e o texto, assim como da importância dos livros e do papel dos escritores. Na citação acima, Zafón vai de encontro à posição de José Saramago, algo visível num ensaio deste último, em que refere que “(...) o autor está no livro todo, o autor é todo o livro, mesmo quando o livro não consiga ser todo o autor”, pelo que não é de admirar a relevância atribuída ao autor e à sua capacidade em imprimir a sua alma nas palavras.
“O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.”
E a alma de A Sombra do Vento está, para além das referidas considerações relativas à leitura, nas suas encantadoras personagens, das quais se destaca o excêntrico Fermín Romero, que com os seus comentários acutilantes e o seu sentido de humor nos consegue arrancar um sorriso nas situações mais inacreditáveis.
Uma obra marcante, dedicada aos amantes da literatura, que torna claro como nunca é tarde para tomar as rédeas do nosso pensamento, para deixarmos de nos submeter às crenças alheias, aproveitando ao máximo um dos actos mais enriquecedores da experiência humana: a leitura.
“Bea diz que a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma, e que estes são bens cada dia mais escassos.”

26 de setembro de 2010

Leituras Digitais (19 a 25 de Setembro)

Rubrica semanal de notícias e artigos relacionados com a edição de livros digitais.

   Welcome to the first installment of my e-book guide for beginners. The purpose of this guide is to give someone who knows absolutely nothing about e-books the tools he needs to make an informed decision about what kind of e-book device, if any, to buy.
   Yet, when there are highly desired and interesting new e-reading devices to put in their stores, with a demonstrated ability to attract customers and drive purchases in addition to ultimate suitability to a physical store because they are highly designed physical objects, booksellers don’t modify their stores and retail model to include such things. It’s a huge wasted retail and marketing opportunity.
   Today, there is a fierce fight going on for the burgeoning and quickly growing e-book market. Determined not to let one company — Amazon this time — run away with it, a number of players have stepped forward to duke it out.(…)
Kobo chief executive Michael Serbinis recently discussed the e-book battleground, and how it might transform the publishing business, in an interview with CBC News.
   The real issue is what experience you want to mimic. It is the aesthetics that dominate, I think. I prefer the eInk screen because it is a closer mimic of the paper book reading experience, an experience I enjoy and want ebooks to emulate. I have a hard time thinking of ebooks as something other than another form of a pbook; I should really separate the two completely and develop an ebook-only perspective, but I think that is difficult for my generation or for any generation that grew up with pbooks. The newest generation will make that separation much more easily and naturally because it will have been weaned on ebooks.
   When you’re a publisher looking to meet the market’s demands (they want e-books, and they want them now), the plurality of different e-book standards in use can become a real problem. Converting your content to an e-book format costs money. Having to re-convert every time a new device and its exclusive proprietary format gains popularity is undesirable, to say the least.
The best course of action? Remain flexible while minimizing your costs. A tall order, but doable with a little creative thinking. One approach is to minimize the cost and time required to convert your content into e-book formats by first converting all of it into a marked up intermediary format like XML.
  Every author is the CEO of their own budding publishing empire, full of unrealized potential. Decisions you make today will determine your success in the future.
  We all make multiple decisions every day, and some of our decisions will inevitably prove incorrect or ill-conceived. The secret to success is to recognize our mistakes before they become business-limiting.
   There are many reasons why a conversion process can go wrong, many of which argue for choosing the PDF form of electronic publishing of a textbook, but everything boils down to a publisher’s financial commitment to its product. The first mistake publishers make is to believe that editorial quality control can end once a pbook version is created — they do not think of the ebook version as being a wholly new creation that has its own complexities. Consequently, editors and proofreaders are hired once in the process, before publication in any form, rather than twice, once before the pbook is produced and once after the pbook but before the ebook is produced.
Vídeos
   The eBooks on the market today all look similar, with their single displays and tablet form. But a concept by French designer Karim Zaouai, the Digital eBook, prefers a move back to the ergonomics of a hardcover.

  Meet Nelson, Coupland, and Alice — the faces of tomorrow’s book. Watch IDEO’s vision for the future of the book. What new experiences might be created by linking diverse discussions, what additional value could be created by connected readers to one another, and what innovative ways we might use to tell our favorite stories and build community around books?
   Author Stephen King gives his take on the ebook industry. CNN's Alina Cho reports.

25 de setembro de 2010

Citações


  “O tempo passa tanto mais depressa quanto mais vazio está. As vidas sem significado passam de largo como comboios que não param na nossa estação.”

                   Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento

23 de setembro de 2010

Sinfonia em Branco, Adriana Lisboa

Sinfonia em Branco
2004 (Data original de publicação: 2001)

Autor: Adriana Lisboa
Editora: Círculo de Leitores
Páginas: 230
ISBN: 972-42-3128-3



   "Interessou-me retratar sentimentos que ultrapassam a questão do género, do sexo, da classe social, até talvez da nação, investigar emoções que são compreendidas pela humanidade."
     Adriana Lisboa em entrevista para a Os Meus Livros
Natural do Rio de Janeiro, Adriana Lisboa é, até à data, a única mulher que recebeu o Prémio Literário José Saramago. Estudou música e literatura, formação que se veio a reflectir num estilo poético, com claras influências impressionistas, em que as imagens descritas, mais do que as palavras, transmitem ao leitor a profundidade dos sentimentos que povoam Sinfonia em Branco.
   "Nove anos de idade é apenas outra maneira de dizer: promessas. A vida é uma ampla costura de momentos exatos e cada gesto, uma infinitude. As esperanças são como a luneta que se arma diante do céu noturno e pleno, ou como o microscópio que fita a gota de água."
A narrativa é apresentada de forma não linear, em que se revela gradualmente os pormenores da história de duas irmãs, alternando entre a inocência característica da infância, repleta de expectativas, e uma vida adulta em que a pureza e as ilusões se estilhaçaram à muito. Essa fragmentação permite reforçar a importância de alguns temas através da sua repetição em diferentes planos temporais que, à semelhança das memórias das personagens, ecoam ao longo de todo o romance.
   “Abdicara de alguns territórios. Desistira da fantasia de um império. Reinava apenas sobre si mesmo e sobre aquele casebre esquecido no meio de lavouras de importância nenhuma e estradas de terra que viravam poeira na seca e viravam lama na estação das chuvas e não tinham o hábito de conduzir ambições. Quando fora viver ali (mas não por causa disso), ele sabia: o fim dos sonhos.”
Os sonhos desfeitos são substituídos por uma ingénua esperança num novo começo (uma nova vida, uma página em branco), e esta, por sua vez, acaba por dar lugar à resignação, a uma dor contida mas sempre presente. A suavidade do discurso do narrador toca apenas levemente na superfície dessas emoções latentes, permitindo ao leitor, apesar disso, ultrapassar o silêncio e compreender os conflitos interiores de Maria Inês e Clarice.

   “O tempo é imóvel, mas as criaturas passam.”
À medida que os diferentes fios narrativos convergem para a conclusão do romance, os segredos deixam de ser meras insinuações, despindo-se da sua natureza enigmática, momento em que a intemporalidade dos sentimentos retratados se manifesta em todo o seu esplendor.
Um livro dotado de uma musicalidade rara, e que me leva a lamentar que a literatura brasileira contemporânea mereça tão pouca atenção no nosso país.

   “Nada é fácil. De forma alguma. Porém, se é verdade que o tempo é imóvel (e apenas as criaturas passam), tudo o que pode importar está germinando no momento presente. Não com o intuito de florescer ou frutificar, mas tão-somente para germinar. Para ser semente. Para dizer agora – o que, desse modo, vem ser apenas outra maneira de dizer: sempre.”

19 de setembro de 2010

Leituras Digitais (12 a 18 de Setembro)

Rubrica semanal de notícias e artigos relacionados com a edição de livros digitais.

Reading E-Books in All the Colors of the Rainbow – Uma análise da tecnologia a cores dos eReaders, e das possíveis formas de implementação dessas inovações.

Trading e-books for p-books: Why don’t publishers start doing it? – Sobre o potencial do mercado de livros usados, algo que as editoras poderiam aproveitar através da troca de livros impressos pela respectiva versão digital.

E-books to become part of the Internet? Why? – Em resposta a um artigo referido no anterior Leituras Digitais, acerca da integração dos eBooks com a Internet, Chris Meadows apresenta uma opinião diferente, salientando os problemas de privacidade que tal integração pode provocar.

Are eBooks a Bargain? e How free e-books could challenge the Kindle Store – Ambos focados no preço dos eBooks, e em como uma mudança nos padrões de consumo dos leitores pode levar a uma poupança substancial.

Nine Important Trends in the Evolution of Digital Textbooks and E-learning Content – As principais tendências que poderão ser determinantes, a médio-longo prazo, para a evolução do mercado de livros digitais.

E-reader roundup: 8 devices compete for the crown – Um olhar sobre oito diferentes leitores digitais (incluindo o iPad). As avaliações dos dispositivos são precedidas por uma introdução simples e concisa, respondendo a perguntas que são frequentemente colocadas por quem se procura informar, pela primeira vez, sobre eReaders e os seus aspectos específicos.

Self-Publishing: The Numbers Game – Mais um artigo que se foca na publicação de autor, considerando que apenas a sua versão electrónica é viável nos dias de hoje, muito embora o sucesso através dessa via continue a ser difícil de alcançar.

A nível nacional, a abertura da loja de eBooks (a denominada MediaBooks) da Leya foi anunciada em vários websites de referência:
Para mais informações, podem consultar o FAQ disponibilizado na página da loja.

Quanto a vídeos, deixo-vos com mais uma análise ao Sony Reader PRS-350, e com o recente anúncio televisivo do Kindle 3:


17 de setembro de 2010

The Digital Comic Museum




   We are the #1 site for downloading FREE public domain Golden Age Comics. All files here have been researched by our staff and users to make sure they are copyright free and in the public domain. To start downloading just register an account and enjoy these great comic books. We do not charge per download and the goal of project is to archive these comic books online and make them widely available.

À semelhança do Project Gutenberg, que tem vindo a disponibilizar milhares de livros pertencentes ao domínio público, o Digital Comic Museum prossegue um objectivo semelhante, mas para a banda-desenhada.
Caso não estejam familiarizados com os formatos utilizados, podem consultar o seguinte FAQ.

15 de setembro de 2010

Ler em Lisboa: Jardim da Estrela

O Jardim Guerra Junqueiro, mais conhecido por Jardim da Estrela, é um espaço único na cidade, pelo conjunto de características que protagoniza. É um jardim fechado por um belo gradeamento em ferro, com portões que permitem a entrada por quatro lados. Uma das peças notáveis deste jardim é o coreto, em ferro trabalhado, outrora “palco de frequentes concertos filarmónicos”.
                                           
                                              in
Lisboa Verde

Situado no centro de Lisboa, este espaço destaca-se de outros divulgados nesta rubrica, pelo facto de nele existir uma pequena biblioteca. Reinaugurada em 1993, no âmbito de um projecto que tinha como objectivo a abertura de bibliotecas-quiosque em vários jardins da cidade, a Biblioteca do Jardim da Estrela acabou por ser a única a subsistir. Disponibilizando livros, revistas e jornais, é esta conjugação da acessibilidade à leitura ao ar livre, que me leva a sugerir uma visita ao jardim.


Ver Lisboa cidade num mapa maior

Para mais informações, incluindo o horário da biblioteca, podem consultar esta página.

12 de setembro de 2010

Leituras Digitais (5 a 11 de Setembro)


Rubrica semanal de notícias e artigos relacionados com a edição de livros digitais.

The immersive and interactive qualities of literature – Centrando-se no conflito entre a interactividade e a imersão na leitura.

Latest eBook Pricing Analysis Indicates That Amazon is Winning Its Battle with Traditional Publishers Over Prices – Evolução dos preços na Amazon Store e análise das respectivas tendências.

Bye Bye, Big-Box Bookstores – Perspectivas futuras para as livrarias, tendo em conta as consequências da desmaterialização noutras áreas, assim como os resultados negativos que as grandes empresas (Borders e Barnes & Noble) têm vindo a apresentar.

Surrendering to Amazon: The “Strategic” Decisions That May Give Amazon the eBook Market – Decisões estratégicas comprometedoras por parte da Sony e da Barnes & Nobles, que podem beneficiar a posição da Amazon no mercado.

Creating the Perfect Ebook by Michael S. Hart – Aproximando-se o 40.º aniversário do Project Gutenberg, o seu fundador, Michael S. Hart, fala-nos dos planos para melhorar qualitativamente os eBooks disponibilizados no PG.

The line between book and Internet will disappear – Um ponto de vista interessante sobre a integração dos eBooks com a internet.

The case for the dedicated e-reader: When it’s time to go off the grid – As vantagens de um dispositivo que se foca na experiência de leitura, especialmente no que diz respeito à redução de potenciais distracções.

Começam também a surgir as primeiras análises aos novos eReaders da Sony:

Sony Reader Pocket Edition PRS-350
Sony Reader Touch Edition PRS-650

11 de setembro de 2010

You Shall Not Pay!


Foi anunciada oficialmente a entrada do Lord of the Rings Online no modelo Free to Play. A implementação desse modelo para os servidores europeus foi adiada para finais de Setembro, no entanto não existem restrições a nível de localização para aceder aos servidores americanos, pelo que qualquer pessoa pode efectuar o download do cliente e jogar gratuitamente nos mesmos.
BURBANK, CA – September 10, 2010– Warner Bros. Interactive Entertainment announced today that Turbine’s The Lord of the Rings Online™ (LOTRO) is now free-to-play for players across North America. Launching today, players can now download LOTRO at www.lotro.com and join with millions of other adventurers as they explore the most complete and authentic recreation of Middle-earth ever created and participate in LOTRO’s award-winning story up to level 50 for free. Players can also choose to visit the new LOTRO Store to purchase expansions, quest packs, items, and account services a la carte, or join the VIP program that provides unlimited access to the game for one low monthly price.

This major update will also extend the game’s epic story and expand the world of Middle-earth with the new region of Enedwaith while continuing to deliver state-of-the-art graphics and gameplay, as well as a rich set of features that until now could only be found in premium subscription-based online games.

“We are continuing to expand the market by offering LOTRO free-to-play and providing players with a choice in how they experience premium online entertainment,” said Martin Tremblay, President, Warner Bros. Interactive Entertainment. “Today’s launch allows gamers to play one of the world’s best online games completely free while letting core LOTRO fans dive deeper into the game as they choose.”

9 de setembro de 2010

Fome, Elise Blackwell

Fome
2010 (Data original de publicação: 2003)

Título Original: Hunger
Autor: Elise Blackwell
Editora: Livros de Areia
Tradução: Safaa Dib
Páginas: 102
ISBN: 978-989-8118-10-3
“Aqueles que se afogam nunca mudam os factos, mas aqueles que sobrevivem ao mar nos pulmões devem enviar as suas histórias em palavras, palavras como pequenos barcos de casco furado, através da distância, do frio, e das correntes de água.”
Sobrevivente do cerco alemão a Leninegrado durante a Segunda Guerra, atrocidade que veio a ceifar mais de um milhão de vidas, um botânico cuja identidade não é revelada recorda a agonia vivida nesse período. Tal como a sua mulher, trabalhou no Instituto de Pesquisa da Indústria de Plantas, que comporta uma das maiores colecções de sementes a nível mundial, em grande parte devido aos esforços do seu director, Nikolai Vavilov. Apesar das privações, a preservação desses milhares de espécies tornou-se na missão dos cientistas do instituto, que assumem o compromisso de colocar a protecção das plantas e sementes acima da sua própria saúde.
“Mas não podia suportar a dor que existia entre mim e a morte. Era essa fome cinzenta, e não a própria morte, que temia, que evitava a custo de toda a honra. Como os políticos mais inteligentes sabem e repetem, os ideais nada são para o homem que se senta a uma mesa vazia.”
A fome, resultante da continuidade do cerco nazi, instala-se na cidade e apresenta-se como um importante factor de clivagem moral, visível entre aqueles que se sacrificam, como os cientistas do instituto, e os que cedem aos instintos de sobrevivência pondo de parte quaisquer considerações éticas, como é o caso do narrador. É este narrador atípico, dilacerado pelas suas paixões, que nos proporciona uma perspectiva da decadência humana que não seria possível observar através do heroísmo dos seus companheiros.
“Como sempre, o meu arrependimento foi instantâneo. Não me refiro à culpa do roubo e sobrevivência, que era constante, mas o simples arrependimento por ter despertado a terrível fome que conseguira finalmente entorpecer.
Disse a mim próprio que a dor era o preço da vida; a sua ausência era o passo para a morte.”
A rápida deterioração das condições de sobrevivência é magistralmente intercalada com situações contrastantes, desde expedições ao estrangeiro para recolher sementes raras ao paralelo efectuado com os jardins suspensos da Babilónia, desde o desespero à evocação do prazer de comer. A analogia estabelecida com a Babilónia serve também para relembrar a vulnerabilidade da obra do homem, por mais valiosa ou complexa que seja, e, especialmente, em como é o próprio homem a causa da ruína daquilo que ele próprio construiu.
“Desvario laborioso e empobrecedor é o de compor vastos livros; o de espraiar por quinhentas páginas uma ideia cuja perfeita exposição oral cabe em poucos minutos.”

       Jorge Luis Borges
Em Fome, Elise Blackwell consegue, de modo elegante e conciso, apresentar as consequências da ausência de disciplina moral. Através da perfeita justaposição de opostos, sem divagações desnecessárias ou desperdício de palavras, somos confrontados com a forma como o móbil último da natureza humana - a auto-preservação – se impõe na nossa conduta.
“Como sempre, o meu arrependimento foi instantâneo. Não me refiro à culpa do roubo e sobrevivência, que era constante, mas o simples arrependimento por ter despertado a terrível fome que conseguira finalmente entorpecer.
Disse a mim próprio que a dor era o preço da vida; a sua ausência era o passo para a morte.”

7 de setembro de 2010

Curtas: Comedy (2002)

Numa Irlanda em que paira a ameaça de invasão por parte dos ingleses, uma jovem rapariga resolve ir em busca do auxílio de um misterioso espadachim, cuja existência adquiriu contornos lendários. Consigo leva o único objecto que, segundo os rumores, este aceita como pagamento para os seus serviços: um livro.
Representando um ambiente lúgubre, acompanhado pela música de Franz Schubert, Comedy consegue, com a sua simplicidade, sublinhar a importância da paz e da literatura, importância essa que parece ser recorrentemente esquecida.


Produzido pela Studio 4°C, Comedy foi dirigido por Kazuto Nakazawa, conhecido pelo seu trabalho em Samurai Champloo e Kill Bill: Vol. I.

6 de setembro de 2010

Os Mensageiros das Estrelas - Colóquio sobre Ficção Científica e Fantasia em Lisboa



Irá realizar-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre 3 e 5 de Novembro um colóquio sobre ficção científica e fantasia, organizado pelo Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa. Apesar de o CEAUL apenas ter anunciado a data do evento, o Correio do Fantástico avança com nomes como David Soares e Luís Filipe Silva, divulgando também alguns pormenores relativamente ao programa do colóquio.

5 de setembro de 2010

The Hugo Awards 2010: Vencedores anunciados

Troféu desenhado por Nick Stathopoulos
Foram hoje anunciados os vencedores dos Hugo Awards, na convenção anual de ficção científica e literatura fantástica AussieCon (Melbourne, Austrália):

Best Novel: TIE: The City & The City, China Miéville (Del Rey; Macmillan UK); The Windup Girl, Paolo Bacigalupi (Night Shade)
Best Novella: “Palimpsest”, Charles Stross (Wireless; Ace, Orbit)
Best Novelette: “The Island”, Peter Watts (The New Space Opera 2; Eos)
Best Short Story: “Bridesicle”, Will McIntosh (Asimov’s 1/09)
Best Related Book: This is Me, Jack Vance! (Or, More Properly, This is “I”), Jack Vance (Subterranean)
Best Graphic Story: Girl Genius, Volume 9: Agatha Heterodyne and the Heirs of the Storm Written by Kaja and Phil Foglio; Art by Phil Foglio; Colours by Cheyenne Wright (Airship Entertainment)
Best Dramatic Presentation, Long Form: Moon Screenplay by Nathan Parker; Story by Duncan Jones; Directed by Duncan Jones (Liberty Films)
Best Dramatic Presentation, Short Form: Doctor Who: “The Waters of Mars” Written by Russell T Davies & Phil Ford; Directed by Graeme Harper (BBC Wales)
Best Editor Short Form: Patrick Nielsen Hayden
Best Editor Long Form: Ellen Datlow
Best Professional Artist: Shaun Tan
Best Semiprozine: Clarkesworld edited by Neil Clarke, Sean Wallace, & Cheryl Morgan
Best Fan Writer: Frederik Pohl
Best Fanzine: StarShipSofa edited by Tony C. Smith
Best Fan Artist: Brad W. Foster

Leituras Digitais (29 de Agosto a 4 de Setembro)

Rubrica semanal de notícias e artigos relacionados com a edição de livros digitais.

A Modest Proposal For Authors Who Abandon Their Publishers — Give Me A Break – Sobre a importância das editoras na publicação de um livro, numa altura em que diversos escritores resolvem optar por publicações de autor em formato digital.

The other comparison: ebook royalties versus ebook self-publishing – Em volta do mesmo tema do artigo anterior, tecendo considerações acerca do que as editoras devem proporcionar aos seus autores de modo a evitar que estes optem por outras vias de publicação.

The Best e-Readers Compared – Uma comparação entre quatro eReaders, que apesar de não incluir os modelos recentemente anunciados pela Sony, nos proporciona uma visão concisa de cada um dos dispositivos analisados.

Burning Question: Why Do Ebooks Cost So Much? – Talvez uma das perguntas mais recorrentes por parte de quem pondera, pela primeira vez, a compra de um livro em formato digital, clarificada neste curto artigo da Wired Magazine.

Handheld E-Book Readers and Scholarship: Report and Reader Survey – Um extenso relatório que pretende avaliar a viabilidade do uso de eReaders para leitura de manuais escolares.

You Can Read Manga On Your Kindle With Mangle – Acerca da possibilidade de leitura de manga no novo Kindle 3, com o auxilio do programa Mangle, criado para esse efeito.

Esta foi também a semana em que a Sony deu a conhecer a sua nova linha de eReaders:


Press Release

SONY BRINGS DIGITAL READING EXPERIENCE TO LIFE WITH THE LAUNCH OF ITS NEW LINE OF READERS

New Readers Feature Sony's Unique Touch Screens with Anti-Glare Technology for the Optimal Digital Book Reading Experience

SAN DIEGO, September 1, 2010 – Continuing to provide book lovers with the most natural, immersive digital reading experience, Sony today announced the launch of its beautifully-designed new line of Reader digital books, including the new Reader Pocket Edition™, Reader Touch Edition™ and, in the US, the wireless Reader Daily Edition™. The new line of Readers features a host of new design and technology enhancements that make them the perfect device for any reader's lifestyle.

"Today, we're excited to announce not just the availability of the Reader Touch and Pocket Editions in the countries we already serve but also expansion of the Reader line to previously untapped markets," said Steve Haber, president of Sony's Digital Reading Business Division. "We take a thoughtful approach to country expansion, including Italy, Spain, Australia, Japan and China, working with local bookstores to ensure content is compatible, relevant and in the appropriate language for each market."

The new Reader models bring a fresh level of flare to e-reading with colorful, elegant aluminum designs and all new, highly responsive touch screens. In addition to the new devices in the US, Sony announced an improved web-enabled Reader™ Store and a set of applications for iPhone and the Android Marketplace to extend the Reader experience across multiple portable devices.

"The success of our previous line of Readers illustrates book lovers' demand for feature choices and full touch screens on their digital reading devices," said Phil Lubell, vice president of Digital reading at Sony Electronics. "Today, we're answering their call by providing an entire line of stylish, full touch screen devices with a variety of features and price points."

What's New
The new generation of Readers builds on the popularity of last year's line. For 2010 Sony has restyled all three of the devices, reduced their size and weight, and made new, innovative touch screens available across the entire line.

Touch Screen for Everyone
Based on the popularity of the full touch screen on its previous Reader Touch and Daily Edition models, Sony equipped the entire line of new Readers with improved, optical touch screen technology designed specifically for digital reading*. The new, first-to-market technology enhances ease of use and increases reading clarity, creating an immersive reading experience for consumers. Book lovers can now escape into their favorite books with the lightest swipe of a finger or stylus pen.

Better E Ink Displays
All three devices utilize E Ink® Pearl electronic paper displays, which delivers a paper-like display that is readable in direct sunlight. The screens offer a high contrast ratio with 16 levels of grayscale, ensuring that text and images are crisp and easy to read.

A Reader Pocket Edition that Will Wow You
The new Reader Pocket Edition sports a five-inch, full touch screen and a smart, lightweight design that's easy to slip into a purse or jacket pocket for convenient, on-the-go reading. It is available in chic colors, including silver and pink. It has 2 GB of onboard memory, which lets you carry up to 1,200 of your favorite books, and retails for about $179.

A New Reader Touch Edition: More of Everything Readers Love
The new Reader Touch Edition features a six-inch full touch screen and an intuitive design with 2 GB of onboard memory. In addition, it offers dual expansion slots for up to 32GB of additional memory and the ability to play MP3 and AAC audio files. It's available in black or red for about $229.

A Reader Daily Edition that Adds WiFi and New Web Features
The Reader Daily Edition provides a wireless connection to Sony's Reader Store from most of the U.S. via AT&T's 3G network, the nation's fastest mobile broadband network. Now, it also provides Wi-Fi and basic Web browsing capability on its large, seven-inch full touch screen. A host of pre-loaded practical and reading-based URLs will provide direct access to optimized, text-based sites designed to add a new dimension to the reading experience. The Daily Edition also includes 2 GB of memory and expansion slots for additional memory (up to 32 GB). It comes in silver and will sell for about $299.

Additional New Features Across the Entire Line
New features allow for easier reading of PDF or personal documents. Intuitive content zoom, adjustable contrast and brightness control, as well as automatic multiple page creation will make documents designed for a standard sheet of paper easier to read on a smaller screen. Also, personalized standby screen options will allow users to use their favorite photos as a screen saver and the collections functionality will allow them to group their favorite reads.
In addition, the new Reader line is more global than ever, offering users the ability to look up words and phrases with the built in New Oxford American Dictionary, Second Edition and Oxford Dictionary of English eDictionaries, as well as 10 translation dictionaries in languages such as French, German, Spanish, Italian and Dutch. Wordsmiths across the globe can now create "word logs" to track the words they've looked up per dictionary book or periodical in chronological order, while quickly switching between dictionaries.

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In addition to announcing a new generation of Readers, Sony has also made several changes and improvements to Reader Store. More than 1.2 million titles are available in the U.S. Sony remains committed to providing an extensive offering of newspaper and magazine content for single issue purchase or subscription within the newsstand area of the store. Soon to be available titles include The Guardian, The Harvard Business Review, Newsday, Publishers Weekly, San Diego Union-Tribune and more. The store's Library Finder application continues to provide easy access to local public libraries to borrow eBooks for free. To make choosing a book easier, the New York Times Bestsellers list will be featured alongside the Reader Store's bestsellers. By next month, integration with Goodreads will permit the inclusion of reader reviews from that site and a new web-based architecture for the store will allow standard browser access to accounts.

With Reader™ Desktop Edition (formerly Reader Library) for Apple's Mac OS X and Microsoft® Windows® and Reader™ Mobile Edition for Apple iPhone and Google Android-based smartphones, users can now synchronize their reading among multiple devices. These free applications, available later this year, will offer an intuitive digital reading experience with an elegant interface and access to Sony's Reader Store for browsing and purchasing content. Reader Desktop Edition also includes the ability to easily manage content for the non-wireless Reader models.

The new Reader Pocket Edition and the new Reader Touch Edition are available immediately, and the new Reader Daily Edition will be available this November in time for the holidays. The Reader Pocket and Touch Editions, as well as available accessories such as AC adaptors, cases and covers with reading lights, are available now at SonyStyle.com and SonyStyle stores.

Estão também disponíveis os manuais em versão pdf (PRS-350, PRS-650 e PRS-900), assim como diversas reacções a este lançamento, e à estratégia adoptada pela Sony:

Para mais informações podem consultar a página no site oficial da Sony.

4 de setembro de 2010

Infográfico: Is Print Dead?


Não é segredo que a indústria gráfica atravessa uma fase de mudança, mas uma análise da sua evolução deve, naturalmente, apoiar-se em dados quantitativos. Neste infográfico, da autoria de Brian Young, são visíveis algumas das principais tendências que se fazem sentir no sector, e que terão também repercussões ao nível do mercado editorial (as fontes utilizadas para a sua elaboração podem ser consultadas aqui).

Is Print Dead? (Infographic)

3 de setembro de 2010

O Livro do Deslumbramento


O Livro do Deslumbramento
2007 (Data original de publicação: 1912)

Título Original: The Book of Wonder
Autor: Lord Dunsany
Editora: Saída de Emergência
Organização: José Manuel Lopes
Páginas: 192
ISBN: 978-989-637-002-2

O Livro do Deslumbramento é uma colectânea que reúne contos de dois diferentes livros de Lord Dunsany: The Book of Wonder (1912) e The Last Book of Wonder (1916). Trata-se de uma publicação traduzida pelo Clube de Tradução Literária da Universidade Lusófona, com organização de José Manuel Lopes, que mais uma vez contribui para fazer chegar ao público português, um autor cuja obra foi fulcral para o desenvolvimento da ficção especulativa.
“Nem todos nos pudemos sentar aos pés de historiadores, mas todos aprendemos fábulas e mitos nos joelhos de nossas mães.”
Remando contra a maré do realismo, tendência predominante no panorama literário do seu tempo, Lord Dunsany apresenta-nos um fascinante mundo alternativo através dos seus breves contos, onde predominam paisagens de beleza singular e extravagantes personagens. Ler Dunsany é relembrar o encanto das histórias que nos acompanharam durante a infância, revivendo a profunda curiosidade e admiração que estas despertavam na nossa inocente mente de criança.
De facto, a imaginação do autor conjuga-se perfeitamente com o seu estilo de modo a deslumbrar o leitor, muito embora tal implique um sacrifício ao nível da caracterização e do enredo.
“Por um lado, ela ainda vivia, por outro, estava unida a esses tempos recuados, como naqueles contos sagrados que as amas contam, quando as crianças se portam bem, a noite cai, a lareira arde constante e os flocos de neve batem levemente nas vidraças, como passos furtivos de coisas terríveis em bosques antigos e encantados. Se no início sentia saudades das inovações delicadas entre as quais fora criada, a música antiga do mar místico que evoca a sabedoria das fadas acalmou esse sentimento e acabou por consolá-la. Esqueceu, até mesmo, aqueles anúncios a pílulas e drageias, tão apreciados em Inglaterra.”
Apesar dessa simplicidade, a sua ficção não é desprovida de um teor alegórico, o qual é temperado pela ironia que é característica de Dunsany, assim como por um apurado sentido de humor. Por outro lado, também a fantasia é moderada pela observação atenta da natureza, como que procurando atingir um equilíbrio entre o real e o imaginário.
Pioneiro no género fantástico, e apesar da qualidade da sua obra, Dunsany permanece imerecidamente no esquecimento. No entanto, é certo que aquele que se aventurar no seu estilo gracioso, decerto encontrará maravilhas que superam o que o nosso mundo pode oferecer.
“Quantas vezes contemplámos nós essa Cidade do Nunca, essa maravilha das Nações! Não a vemos quando é noite no Mundo e não conseguimos distinguir para lá das estrelas, nem quando o Sol brilha no sítio onde moramos, ofuscando os nossos olhos. Contudo, quando em alguns dias de tempestade o Sol subitamente se põe, arrependido ao cair da noite, e certos esplêndidos penhascos se revelam, que nós quase tomamos por nuvens (pois é tanto crepúsculo para nós como é sempre para eles), então vemos, nos seus cintilantes cumes, aquelas cúpulas douradas que se elevam acima das orlas do Mundo e que parecem dançar digna e calmamente naquela suave luz do entardecer, que é o lugar de nascimento do Deslumbramento. Então a Cidade do Nunca, desconhecida e distante, olha longamente o seu irmão, o Mundo.”
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