16 de maio de 2010

Debate sobre o futuro do livro na FLL



Os Livros do Futuro, o Futuro dos Livros



Convidados (da esquerda para a direita):
Mário de Carvalho (escritor)
Manuel Alberto Valente (Porto Editora)
Carlos Vaz Marques (moderador do debate)
José Afonso Furtado (director da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian)

Realizou-se hoje mais um interessante debate na feira do livro de Lisboa. Este iniciou-se com uma intervenção bem-humorada de Carlos Vaz Marques, que descreveu a sua perspectiva pessoal, assim como a sua experiência como editor. Fiquei especialmente agradado por saber que a Porto Editora adopta uma postura proactiva no que diz respeito a conteúdos digitais, ao contrário da posição de outras importantes editoras no panorama nacional.
Quanto a Mário de Carvalho, demonstrou, à semelhança do que acontece na recente entrevista para a revista LER n.º 92, estar familiarizado com o uso das novas plataformas de leitura, considerando que estas podem ter um papel importante para o seu enriquecimento.
Finalmente, através de intervenções mais extensas, José Afonso Furtado procurou desmistificar algumas das ideias pré-concebidas acerca da matéria, tais como a justificação das mudanças a nível de leitura puramente através do desenvolvimento tecnológico, a tendência para discutir a futuro do livro apenas na perspectiva do texto literário e a noção de que o suporte em papel continua a ser a plataforma de leitura mais importante para todos os segmentos (no contexto do discurso, descritos como uma conjugação entre géneros, tecnologias e mercados).
Lamento apenas que não se tenha desenvolvido mais acerca da preparação das editoras portuguesas para a possibilidade de fornecer conteúdos digitais em português.

À semelhança do debate sobre literatura fantástica, volto a disponibilizar uma gravação aúdio (ver links abaixo). Infelizmente, cerca de meia hora após o início da discussão, o CESP começou uma acção de protesto, com uma viatura provida de diversos megafones a escassos metros do espaço EDP onde nos encontrávamos...


Tendo isto em conta, deixo-vos alguns dos destaques publicados através do twitter da Feira do Livro (para aqueles que não apreciarem o gosto musical do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal...):





Carlos Vaz Marques: Há quem diga que uma biblioteca, dentro de alguns anos, será um museu.
Manuel Alberto Valente: Não tenho o optimismo do Manoel de Oliveira, que tem 102 anos e está preocupado com os subsídios ao cinema nos próximos dez anos.
Manuel Alberto Valente: Não nos podemos esquecer que aquilo a que chamamos livro não é o 1º suporte de leitura que a Humanidade conheceu.
Manuel Alberto Valente: Pela experiência que tenho com o Kindle, confesso que, para mim, o suporte digital não substitui o livro.
Manuel Alberto Valente: Mas, como editor, é um suporte muito útil profissionalmente.
Manuel Alberto Valente: Hoje, quando pedimos um livro para analisar, recebê-mo-lo 5 minutos depois em pdf.
Manuel Alberto Valente: Mas isto no ponto de vista profissional. Não me vejo a ler um romance, por prazer, num aparelho destes.
Manuel Alberto Valente: Estamos preparados para entrar com conteúdos portugueses neste tipo de suportes, mas estudos indicam que os e-books não chegarão em força a Portugal tão depressa.
Mário de Carvalho: Não estou nada preocupado com o futuro do livro. Recordo-me que o livro já foi muitas coisas.
Mário de Carvalho: O cinema é diferente, o livro vai ser diferente. A leitura, com o acesso a informação que a Internet nos dá, pode ser mais rica.
Mário de Carvalho: Os tempos mudaram, provavelmente vamos ter um livro desmaterializado.
José Afonso Furtado: Estamos numa época de mudança de paradigmas.
José Afonso Furtado: Um dos primeiros erros que se comete é pensar que a mudança só ocorre no livro.
José Afonso Furtado: Acontece no livro porque a sociedade está a mudar.
José Afonso Furtado: Os jovens de 13, 14 anos lêem de outra maneira, mas não significa que seja só por causa das tecnologias.
José Afonso Furtado: Ninguém tem avós em casa para ler histórias, não têm bibliotecas em casa,
José Afonso Furtado: A tendência para ler o fragmento e não o livro inteiro na faculdade, por exemplo, é igual, nada tem a ver com tecnologia.
José Afonso Furtado: Entraram novos agentes no mercado que têm agendas que não são próximas das agendas dos editores.
José Afonso Furtado: Os grupos que poderão condicionar o futuro editorial não são grupos editoriais. São a Amazon, a Apple e o Google.
José Afonso Furtado: A edição é um conjunto de segmentos que resultam da conjugação entre géneros, tecnologias e mercados.
José Afonso Furtado: O livro é uma leitura mainstream em determinados segmentos.
José Afonso Furtado: Se virmos a lista das maiores editoras a nível mundial, a Thomson Reuters factura principalmente em formatos digitais.
José Afonso Furtado: Para a leitura sequencial, em que não é necessário fazer anotações, estes aparelhos não trazem valor acrescentado.
José Afonso Furtado: É preciso saber distinguir as leituras.
Manuel Alberto Valente: Quando abordamos a questão do livro, nós que estamos mais ligados ao consumo da literatura temos a tendência para achar que o problema do livro é o problema do livro literário.
Manuel Alberto Valente: Houve uma altura em que a Enciclopédia era obrigatória nas casas mais ou menos cultas. Hoje em dia ninguém compra porque tem a internet como alternativa.
José Afonso Furtado: Temos muitas razões para estarmos preocupados no que diz respeito à mudança de paradigma.
José Afonso Furtado: Através do cloud computing, o que a Google e outros vão fazer é alugar o espaço às editoras. Quando compro um livro digital não estou a comprar o livro, estou a comprar o direito de acesso.
José Afonso Furtado: O que me preocupa é que estamos a entrar num modelo em que não vamos ter um livro, a não ser no servidor de terceiros que nos cedem, ao preço de um livro, o direito de acesso ao conteúdo.
José Afonso Furtado: A maior parte das publicações nos EUA pertecem a empresas europeias.
José Afonso Furtado: Os conteúdos em português vão aparecer, provavelmente, não em Portugal.
Manuel Alberto Valente: Não temos condições em Portugal para concorrer com estas empresas [Google, Amazon].







Carlos Vaz Marques: Há quem diga que uma biblioteca, dentro de alguns anos, será um museu.
Manuel Alberto Valente: Não tenho o optimismo do Manoel de Oliveira, que tem 102 anos e está preocupado com os subsídios ao cinema nos próximos dez anos.
Manuel Alberto Valente: Não nos podemos esquecer que aquilo a que chamamos livro não é o 1º suporte de leitura que a Humanidade conheceu.
Manuel Alberto Valente: Pela experiência que tenho com o Kindle, confesso que, para mim, o suporte digital não substitui o livro.
Manuel Alberto Valente: Mas, como editor, é um suporte muito útil profissionalmente.
Manuel Alberto Valente: Hoje, quando pedimos um livro para analisar, recebê-mo-lo 5 minutos depois em pdf.
Manuel Alberto Valente: Mas isto no ponto de vista profissional. Não me vejo a ler um romance, por prazer, num aparelho destes.
Manuel Alberto Valente: Estamos preparados para entrar com conteúdos portugueses neste tipo de suportes, mas estudos indicam que os e-books não chegarão em força a Portugal tão depressa.
Mário de Carvalho: Não estou nada preocupado com o futuro do livro. Recordo-me que o livro já foi muitas coisas.
Mário de Carvalho: O cinema é diferente, o livro vai ser diferente. A leitura, com o acesso a informação que a Internet nos dá, pode ser mais rica.
Mário de Carvalho: Os tempos mudaram, provavelmente vamos ter um livro desmaterializado.
José Afonso Furtado: Estamos numa época de mudança de paradigmas.
José Afonso Furtado: Um dos primeiros erros que se comete é pensar que a mudança só ocorre no livro.
José Afonso Furtado: Acontece no livro porque a sociedade está a mudar.
José Afonso Furtado: Os jovens de 13, 14 anos lêem de outra maneira, mas não significa que seja só por causa das tecnologias.
José Afonso Furtado: Ninguém tem avós em casa para ler histórias, não têm bibliotecas em casa,
José Afonso Furtado: A tendência para ler o fragmento e não o livro inteiro na faculdade, por exemplo, é igual, nada tem a ver com tecnologia.
José Afonso Furtado: Entraram novos agentes no mercado que têm agendas que não são próximas das agendas dos editores.
José Afonso Furtado: Os grupos que poderão condicionar o futuro editorial não são grupos editoriais. São a Amazon, a Apple e o Google.
José Afonso Furtado: A edição é um conjunto de segmentos que resultam da conjugação entre géneros, tecnologias e mercados.
José Afonso Furtado: O livro é uma leitura mainstream em determinados segmentos.
José Afonso Furtado: Se virmos a lista das maiores editoras a nível mundial, a Thomson Reuters factura principalmente em formatos digitais.
José Afonso Furtado: Para a leitura sequencial, em que não é necessário fazer anotações, estes aparelhos não trazem valor acrescentado.
José Afonso Furtado: É preciso saber distinguir as leituras.
Manuel Alberto Valente: Quando abordamos a questão do livro, nós que estamos mais ligados ao consumo da literatura temos a tendência para achar que o problema do livro é o problema do livro literário.
Manuel Alberto Valente: Houve uma altura em que a Enciclopédia era obrigatória nas casas mais ou menos cultas. Hoje em dia ninguém compra porque tem a internet como alternativa.
José Afonso Furtado: Temos muitas razões para estarmos preocupados no que diz respeito à mudança de paradigma.
José Afonso Furtado: Através do cloud computing, o que a Google e outros vão fazer é alugar o espaço às editoras. Quando compro um livro digital não estou a comprar o livro, estou a comprar o direito de acesso.
José Afonso Furtado: O que me preocupa é que estamos a entrar num modelo em que não vamos ter um livro, a não ser no servidor de terceiros que nos cedem, ao preço de um livro, o direito de acesso ao conteúdo.
José Afonso Furtado: A maior parte das publicações nos EUA pertecem a empresas europeias.
José Afonso Furtado: Os conteúdos em português vão aparecer, provavelmente, não em Portugal.
Manuel Alberto Valente: Não temos condições em Portugal para concorrer com estas empresas [Google, Amazon].

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