9 de maio de 2010

Debate sobre Literatura Fantástica na Feira do Livro de Lisboa




Bruxas, Vampiros, Zombies

Convidados (da esquerda para a direita):
Luís Corte-Real (Editor da Saída de Emergência)
Joana Neves (Editora da Contraponto)
Pedro Reisinho (Editor da Gailivro)
Sofia Teixeira (Leitora e autora do blogue Bran Morrighan)

Moderador (posição central na foto):
Luís Caetano

Após alguma confusão inicial relativamente à localização do debate, em que somos informados de que teria sido alterada para a praça verde, apenas para chegar a esta última e descobrirmos que, afinal, o debate se realizaria efectivamente na praça laranja onde aguardávamos inicialmente, Luís Caetano procede à introdução do tema.

A discussão acabou por se centrar demasiado na questão da necessidade de as editoras acompanharem as tendências do mercado, assim como na tentativa de compreender o sucesso de fenómenos recentes como a série Crepúsculo. Nem mesmo a relação estabelecida por Luís Corte-Real entre a qualidade/nível de vendas (tendo-o feito com livros editados pela SdE) conseguiu espicaçar um pouco o debate, culpa, talvez, da predominância de editores no grupo de intervenientes. As intervenções da Sofia Teixeira serviram para contra-balançar essa tendência sobre a perspectiva das editoras, e é uma pena que não se tenha discutido mais sobre autores portugueses e da realidade que enfrentam no nosso país.
Supostamente o debate foi gravado para a Antena 2, pelo que se espera que este venha, eventualmente, a ser disponibilizado na página da rádio. Apesar disso, estou em condição de facultar a gravação do debate, muito provavelmente com uma qualidade inferior à da versão gravada para a rádio (apesar dos problemas de aúdio verificados), mas suficiente para aqueles que não puderam estar presentes satisfazerem a sua curiosidade.

Podem fazer o download integral da gravação aqui (não tive oportunidade de verificar todo o ficheiro aúdio, se encontrarem quaisquer problemas com a gravação, ou o serviço de host utilizado, por favor mencionem tal facto na caixa de comentários).

P.S. Mirrors alternativos caso tenham problemas a efectuar o download:

10 comentários:

  1. É com muita pena minha que me vejo a concordar contigo.

    Confesso que não me senti minimamente enquadrada com toda aquela discussão e achei exagerado o foco que se deu à Meyer...

    Enfim enfim..

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  2. Continuo a achar que o facto de três dos quatro intervenientes serem editores acabou por prejudicar o debate. Especialmente quando dois deles pouco arriscaram, limitando-se muitas das vezes, a elogiar obras por eles próprios editadas, e procurando não ferir a susceptibilidade dos colegas de trabalho.

    Mas nem tudo foi negativo, e é sempre bom poder assistir a um debate relacionado com o fantástico, que acabou por me chamar a atenção para alguns autores que desconhecia, ou que não tinha dedicado a devida atenção.

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  3. Não estive presente no debate, e ainda não pude ouvir a gravação - estou a descarregar neste preciso momento -, mas pelos vossos comentários, já deu para ver que batem sempre na mesma tecla.

    E já deixavam a Meyer em paz, não?

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  4. Estando o próprio editor da Meyer presente, já seria de adivinhar. Se bem que curiosamente, nem foi este que mais se focou na autora.

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  5. Achas?
    Era meyer sim, lutas editoriais sim, meyer sim, etc... ;)

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  6. E ai está uma foto do debate. Como falei no post, gostei quando o Luís Corte-Real mostrou sinceridade e falou sobre a qualidade e venda do grupo de livros da SdE que levou para o debate. Por outro lado não me agradou a resposta dos restantes editores, que não se quiseram comprometer de forma alguma.

    E a gravação que disponibilizo não inclui a fase em que o Luís Caetano pede sugestões de bons livros... essa parte então foi só auto-promoção ;)

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  7. Correu então como eu temia...Do que os autores portugueses precisavam era de alguém que os publicitasse, por exemplo, levando os seus livros às escolas, promovendo palestras sobre o fantástico nessas mesmas escolas, falando sobre as suas histórias e os seus textos... Depois de ter dado, com o João Barreiros, uma palestra deste tipo no mês passado fiquei com esta ideia. Os miúdos não conheciam nenhum escritor português de Fantástico além do Filipe Faria (e nem todos conheciam o Filipe), depois da palestra ficaram interessados e hoje as bibliotecas (da escola e municipais) já têm exemplares do Barreiros, Luís Filipe Silva...entre outros

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  8. Pelo que vejo o debate foi muito semelhante ao de algum tempo atrás que ocorreu na Sociedade Portuguesa de Autores. Se mais debates houvesse chegávamos rapidamente à conclusão de que se fala sempre do mesmo ou quase sempre. Será um resultado da pequenez do meio? Talvez. O certo é que noutros mercados as questões também giram muito em torno de qualidade vs. bestsellerdom. Ainda pouca gente esclareceu porque é que, aparentemente, vende mais o que tem um menor denominador comum de qualidade.

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  9. Por acaso vou um pouco contra a corrente vigente. Acho que o facto de estarem lá predominantemente editores permitiu que a conversa fosse mais prática, mais factual (sem ter entrado na mesquinhez como no (que assisti no) debate da SPA) do que é hábito. Se debater mercado não é o mesmo que debater méritos literários, o primeiro não deixa de ser essencial analisar o primeiro.

    O papel da Sofia sempre me pareceu, como se constatou, ser o da "leitora-arquétipo" do fantástico. Papel que ela até fez por tentar não ser reduzida a isso, mas, sejamos realistas, era para isso que ela lá estava!

    A "honestidade" do Corte-Real quanto à relação qualidade literária/vendas acabou por ser um falso argumento, tanto que ninguém lhe quis pegar. Com isso, perdeu-se o que realmente interessaria do argumento, a subida do fantástico-entretenimento e o crescente declínio do fantástico-especulativo. Mas, mais uma vez, não era esse o foco do debate.

    Com um tema de "bruxas, vampiros e zombies", o debate só se poderia centrar nas modas, e foi isso mesmo que o Luís Caetano conduziu com assinalável competência.

    Um último comentário para uma expressão da Sofia, sobre os "erros de revisão" que assolam as obras de muitos dos novos autores nacionais. Realmente, há muitas editoras, vanity presses, que, para além de funcionarem muito perto da burla organizada ou da exploração, nem sequer prestam os serviços aos seus clientes. Mas os "erros" são desses "autores", não dos revisores. Efectivamente, há, mesmo nas editoras mais estabelecidas, uma falta atroz de editores (no sentido anglo-saxónico do termo) que, para além de garantirem a qualidade do que é impresso ajudem o autor a crescer qualitativamente. Mas isso não "perdoa" a maioria desses novos autores pela falta de capacidade técnica, de originalidade, de humildade, e outras tantas características essenciais para se ser um autor (no mínimo) competente. E, nessas condições, o pior que lhes podemos fazer (a eles como potenciais escritores e a nós como leitores) é sermos tão condescendentes!

    Bjs e abraços,
    Rogério

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  10. "Se debater mercado não é o mesmo que debater méritos literários, o primeiro não deixa de ser essencial analisar o primeiro."

    É certo, mas o facto é que se debateu muito os aspectos de mercado e muito pouco (ou quase nada) o mérito literário.

    "Com isso, perdeu-se o que realmente interessaria do argumento, a subida do fantástico-entretenimento e o crescente declínio do fantástico-especulativo."

    É, de facto, pena que assim tenha sido, aquando da intervenção do Luís fiquei à espera das reacções por parte dos restantes intervenientes e...nada.

    Quanto à revisão, sou obrigado a concordar contigo.

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