20 de abril de 2010

O Grande Deus Pã



O Grande Deus Pã

(Contos publicados entre 1884 e 1904)

Título Original: The Great God Pan
Autor: Arthur Machen
Editora: Saída de Emergência
Tradução: José Manuel Lopes
Páginas: 175
ISBN: 978-989-637-008-4 





    Marco importante na literatura fantástica, inspirando e influenciando muitos autores que se inserem nesse género, não se justifica a imerecida falta de atenção dada à obra de Machen por parte das editoras portuguesas. Felizmente a Saída de Emergência, à semelhança do que tem vindo a fazer em relação a diversos escritores, acaba por preencher o relativo vazio no que a traduções em português diz respeito.
No entanto, é preciso ter em conta que, naturalmente, não podemos ler os seus contos da mesma forma que se fazia nos finais do séc. XIX, inícios do séc. XX. O horror transmitido não causa o mesmo impacto, algo que se deve em grande parte ao grande progresso tecnológico que caracterizou o século passado, e que continua a estar presente na actualidade (talvez um tema para um post posterior, este da desmistificação que a ciência veio trazer, e as suas consequências na literatura).

Nesta edição estão traduzidos os seguintes contos:


  • ·        O Grande Deus Pã (The Great God Pan, 1984)
Iniciando-se com uma sinistra experiência numa jovem rapariga, que acaba por destruir a mente desta, este conto apresenta uma sucessão de estranhos acontecimentos que, apesar de aparentemente serem independentes uns dos outros, acabam por revelar ligações que vêm desmistificar a identidade de uma mulher que se crê estar na origem de uma bizarra série de suicídios em Londres.


  • ·        Novela da Chancela Negra (The Novel of the Black Seal, 1895)
Uma leitura especialmente interessante para quem aprecia a obra de H.P. Lovecraft, dado que é visível a influência que este conto (e, no fundo, a obra de Machen) teve sobre o trabalho de Lovecraft, nomeadamente em “The Whisperer in Darkness” (que pode ser encontrado nas antologias publicadas também pela Saída de Emergência).


  • ·        A Luz Mais Interior (The Innmost Light, 1894)
Em que o casal Black se muda para os subúrbios de Londres, vivendo felizes, pelo menos temporariamente, dado que a senhora Black desaparece por completo durante o Inverno. Tal facto é encoberto pelo marido, mas esta acaba por ser avistada através de uma janela, sendo aparente uma horrível mudança que nela se operou.


  • ·        Povo Branco (The White People, 1904)
Talvez o conto que mais apreciei, aquele que nos impele fortemente a uma reflexão sobre a própria natureza do mal, fruto da discussão entre dois homens com que se inicia. De modo a ilustrar os seus argumentos, um dos intervenientes acaba por revelar um diário que tem na sua posse, relatando as impressões de uma jovem, que acabam por ser o ponto central deste Povo Branco.

Trata-se de um boa selecção mas, apesar do que foi dito até agora devo salientar que a escrita de Machen não está isente de falhas, longe disso. De facto, os seus contos apresentam diversos problemas a nível de narrativa, que se desenvolve em grande parte através do uso da coincidência. Muito embora tal abordagem permita criar uma progressão que se assemelha a um pesadelo, em que independentemente das opções tomadas pelas personagens estas caminham sempre de encontro ao mistério, o uso recorrente da coincidência acaba por empobrecer alguns dos contos.
Para além destes aspectos, Machen peca também pela caracterização das personagens que é bastante elementar, tornando-as bastante desinteressantes por vezes.
Mas, apesar destes pontos negativos, a obra de Arthur Machen não deixa de ser uma leitura recomendada, especialmente aos adeptos do fantástico e do horror. Não se vão arrepender ao entrar num ambiente único em que o mistério e o terror se entrelaçam...em que paisagens atractivas encobrem, com a sua beleza, forças que a compreensão humana não consegue atingir.

1 comentário:

  1. também gostei mais do último conto :) mas este livro é simplesmente fantástico *.* adorei-o!

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